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03 — Inventário, portfólio e valor

Visão geral

Antes de governar agentes, a organização precisa responder três perguntas básicas:

  1. O que existe? — Quais agentes, assistentes e automações baseadas em IA já operam (inclusive aqueles que ninguém oficialmente conhece)?
  2. Quem responde por isso? — Qual pessoa é responsável por cada ativo, em todos os momentos do ciclo de vida?
  3. Vale a pena? — Cada agente está conectado a um problema real, com evidência de valor, ou é só custo e risco acumulado?

Este capítulo constrói a resposta na mesma ordem: descoberta e inventário (o que existe), registry e ownership (quem responde) e portfólio e valor (vale a pena continuar, expandir ou aposentar).

O princípio que amarra tudo: sem visibilidade não há governança. É impossível aplicar tier, evidência, contenção ou sunset a um ativo que a organização não sabe que existe.

1. Conhecer o que existe: descoberta e inventário

1.1 Descoberta é disciplina contínua, não projeto pontual

Uma organização que "começa do zero" raramente começa com zero agentes. Ela começa com baixa visibilidade. O agent estate muda mais rápido que um inventário tradicional: agentes nascem de usuários, SaaS, low-code, IDEs, automações e código. Um inventário pontual fica obsoleto em semanas.

O baseline (primeira foto do estado atual) é o ponto de partida; a capacidade contínua de descobrir é o produto. A descoberta deve rodar por múltiplas fontes reconciliadas, com cadência de redescoberta preferencialmente automatizada.

1.2 Fontes de descoberta

Nenhuma fonte isolada é suficiente. A cobertura vem da correlação, e a correlação exige um schema mínimo comum.

Fonte O que procurar Limitação típica Como compensar
builders e low-code agentes, apps, owners, status de publicação não cobre agentes custom correlacionar com repositórios e gateways
IAM e identidades não humanas service principals, workload identities, secrets a identidade pode não indicar que é agente usar convenção de nomes, tags e telemetria de API
gateways de modelo e API chamadas de modelo, chaves, metadados de ator apenas o tráfego que passa pelo gateway combinar com egress/proxy e dados de despesa
código-fonte e CI/CD SDKs de agente, clientes de modelo, configurações MCP protótipos locais podem não aparecer survey com desenvolvedores e scanning de artefatos
inventário de SaaS e compras produtos com recursos agentic recurso licenciado pode não estar em uso validar uso real e logs administrativos
rede e egress destinos de APIs de modelo e endpoints MCP baixa semântica usar apenas como sinal de agente suspected

1.3 Status de confirmação e confidence: dois campos, duas perguntas

Dois campos diferentes evitam inflar métricas e descartar sinais de shadow AI:

  • discovery.status descreve o quanto a existência e o contexto do agente foram confirmados;
  • discovery.confidence expressa a confiança na correlação dos sinais disponíveis.
Status Significado Ação
confirmed evidência direta do agente e do seu contexto registrar e atribuir owner
probable múltiplos sinais apontam para uso agentic, sem confirmação investigar dentro do SLA definido
suspected indício isolado que merece verificação manter no backlog de remediação
Confidence Uso
high sinais independentes coerentes e recentes
medium evidência útil com gap conhecido de cobertura ou contexto
low sinal fraco, antigo ou ainda não reconciliado

Objetos incertos não são descartados. Eles entram no backlog com owner e prazo — descartar sinais incertos para não "poluir" a métrica é a forma mais rápida de cegar a governança.

1.4 Shadow AI e ativos sem owner

Ativos sem owner ou shadow (criados fora dos processos corporativos) entram em contenção e resolução de ownership — não são silenciosamente aceitos no inventário. Um agente descoberto sem owner recebe status unmanaged e entra em remediação.

Armadilha comum: tratar o baseline como conclusão em vez de ponto de partida, ou contar versões e instâncias como agentes distintos (o que infla o número real do estate).

1.5 Forecast do estate: dimensionar governança, não prometer números

O forecast serve para dimensionar a governança futura, não para prometer número exato. Passos:

  1. Definir baseline por população: agentes pessoais, de time, de processo, embarcados e de terceiros.
  2. Identificar drivers: usuários habilitados, builders disponíveis, templates, iniciativas estratégicas, novos SaaS e automações previstas.
  3. Criar cenários conservador, provável e acelerado em 6 e 12 meses.
  4. Projetar o mix de risco, não apenas o volume. Crescer de 1.000 para 5.000 agentes T1 não demanda o mesmo esforço que adicionar 100 agentes T3.
  5. Converter o forecast em volumes operacionais: attestations por mês, reviews T2/T3, incidentes esperados, identidades, registros de tools e volume de telemetria.
  6. Revisar trimestralmente com dados reais e ajustar capacidade de fóruns, automação e plataforma.

Exemplo de dimensionamento: se 5.000 usuários habilitados podem criar agentes e apenas 10% criarem 2 agentes cada, o estate potencial já ultrapassa 1.000 agentes — antes de qualquer iniciativa corporativa.

1.6 Registro de gargalos manuais

Backlog dos pontos onde a governança depende de trabalho humano repetitivo — insumo direto da decisão sobre o que virar policy-as-code:

Atividade manual Volume/mês Lead time Risco de automatizar Decisão inicial
aprovar agente T1 somente leitura 400 2 dias baixo automatizar com policy gate após calibração em cohort controlada
criar identidade de agente T2 40 4 dias médio workflow + API de IAM, mantendo caminho de exceção
revisar ferramenta privilegiada T3 5 5 dias alto manter decisão humana; automatizar o preparo da evidência

A leitura correta: automatizar a preparação da evidência é quase sempre seguro; automatizar a decisão só quando a policy está estável.

2. Registry: a fonte corporativa de verdade

2.1 Quatro objetos distintos (não confundir)

Objeto Pergunta que responde Natureza
Registry qual agente é este, quem responde, qual tier, admissibilidade, stage e operational state? fonte corporativa de identificação e correlação
Blueprint como esta versão deve ser configurada e controlada? especificação versionada do desired state
Policy/gate a configuração e as evidências atendem às regras? decisão automática ou semiautomática
Runtime/telemetria o agente está operando conforme aprovado? estado observado

Confundir registry com blueprint produz o antipattern mais comum: um inventário que cresce sem nunca virar controle. O registry responde "o que existe e quem responde"; o blueprint responde "como esta versão deve funcionar"; o portfólio responde "isso deveria continuar existindo". São artefatos distintos e não devem ser fundidos.

2.2 Taxonomia corporativa: a linguagem comum do estate

Taxonomia é a linguagem de classificação do estate: características relativamente estáveis que fazem registry, scoring, policies, dashboards e lifecycle usarem os mesmos termos. Taxonomia não é risk tier — dois agentes podem ser transactional e receber tiers diferentes por operarem sobre dados, privilégios ou processos distintos.

Dimensão Categorias sugeridas Por que muda a governança
origem citizen, partnered, professional, fornecedor/SaaS define suporte, SDLC e responsabilidade técnica
ownership pessoal, time, processo de negócio, corporativo muda attestation, JML, continuidade e retirada
alcance usuário único, time, unidade, corporativo, externo/público muda blast radius e necessidade de assurance
função informacional, redação, transacional, autônomo separa conteúdo de efeito colateral
autonomia assistiva, sugestão, execução limitada, planejamento autônomo direciona oversight, limites e controles de runtime
identidade delegada, própria (NHI), compartilhada (proibida) define accountability e padrão de autorização
dados público, interno, confidencial, restrito/regulado aciona controles de dados, privacidade e residency
tools nenhuma, leitura, escrita, execução, privilegiada direciona mediação, rollback e aprovação humana
runtime SaaS, nuvem, on-premises, edge, híbrido muda pontos de enforcement e ownership operacional
topologia agente único, multiagente, delegação entre agentes adiciona trust chain e requisitos de correlação
lifecycle efêmero, do usuário, do time, corporativo muda retenção, dormancy e sucessão

Evite taxonomia baseada em produto ("agente da plataforma X"). O produto informa onde o agente foi construído, não o que ele pode fazer — e a taxonomia precisa sobreviver à troca de builder.

Como implementar: colete amostra representativa (citizen-built, SaaS, custom, ao menos um com execução de ferramentas); escolha apenas dimensões que alteram decisão, controle, métrica ou lifecycle; defina códigos canônicos com critério operacional (não percepção do builder); crie regras de normalização por plataforma; defina obrigatoriedade por tier (fast path de T1 deve minimizar input manual); classifique 20–30 casos e meça concordância entre avaliadores (divergência sistemática indica definição fraca, não avaliador fraco); implemente no registry, pre-screen, dashboards e blueprint — taxonomia que vive só em documento não gera governança.

2.3 Registry: capacidades mínimas e campos obrigatórios

O registry não precisa armazenar tudo — pode referenciar sources of truth existentes. O requisito é responder de forma consistente: qual agente é este, quem responde, qual tier e admissibilidade, qual lifecycle stage e operational state, quais identidades, tools, dados e modelos usa, e quando foi visto pela última vez.

Grupo Campos Source of truth preferido
identidade do ativo agent_id imutável, nome, versão, plataforma, ambiente registry/plataforma
ownership business owner, technical owner, delegado, time/centro de custo diretório organizacional + registry
governança tier, admissibilidade, score, escaladores, decision/exception refs sistema de risco
dependências IDs de fontes de dados, tools, servidores MCP, modelos catálogos + blueprint
runtime ID de identidade, endpoint, perfil de telemetria, last_seen, budget IAM/plataforma/observabilidade
lifecycle stage, operational state, transition history, próxima attestation, dormancy, retirada serviço de lifecycle
valor ID do caso de uso, KPI, status no portfólio, valor observado portfólio

Obrigatoriedade por tier:

Campo T1 T2 T3 T4
owner obrigatório dual (business + technical) dual + delegado sponsor executivo + owners accountable
tier e admissibilidade ambos obrigatórios ambos obrigatórios ambos + reassessment ambos + authority compatível; exceção somente se restricted
dados e tools lista lista + classificação lista + constraints + evidência constraints e lineage críticos completos
identidade definida identidade própria identidade própria + policy reforçada identidade dedicada, isolamento e dual control
observabilidade padrão completa completa + baseline de comportamento monitoramento e containment reforçados
attestation periódica periódica frequente ou orientada a evento orientada a evento e executive review

O fast path de T1 existe para reduzir input manual em alto volume, não para dispensar registro: descoberta, owner, logging e fontes aprovadas continuam obrigatórios.

2.4 Regras de qualidade que geram finding

O registry só é controle quando detecta continuamente que deixou de representar a realidade. O objetivo não é ter uma lista perfeita. Findings típicos:

  • owner inexistente ou inativo;
  • tier ausente ou expirado após mudança material;
  • last_seen incompatível com o estado de lifecycle;
  • ferramenta ou fonte de dados referenciada que não existe no catálogo;
  • agente em produção sem perfil de telemetria ou sem kill switch quando exigido;
  • attestation vencida;
  • identidade compartilhada entre múltiplos agentes T2/T3 sem exceção aprovada;
  • agente descoberto sem owner — recebe status unmanaged e entra em remediação.

Reconciliação automatizada e manual detecta registros ausentes, obsoletos, duplicados e inválidos e bloqueia transições exigidas.

2.5 Blueprint machine-readable

O blueprint é o contrato entre design, desenvolvimento, governança, CI/CD e runtime. Machine-readable significa que os campos relevantes podem ser interpretados por automação para gerar policy checks, verificar o baseline do tier e comparar drift entre configuração aprovada e runtime. Isso não exige que toda a governança esteja em YAML: decisões narrativas, impact assessments e risk acceptance continuam como evidências referenciadas pelo blueprint. Os contratos canônicos são o Agent Registry schema e o Agent Blueprint schema.

Como implementar: defina primeiro o contrato lógico e apenas campos com consumidor real (schema grande sem consumidor é dívida); use formato versionável com validação por schema; associe o blueprint a agent_id + versão (alterar o blueprint não pode sobrescrever silenciosamente a evidência de releases anteriores); valide em build/release que IDs de fontes, tools e modelos existem em catálogos aprovados; use o blueprint para gerar ou verificar configuração; compare desired state com runtime observado (drift material produz finding e, se altera risco, reassessment); comece com dois ou três patterns e evolua o schema só com caso real.

2.6 Ownership e accountability

Cada ativo é vinculado a owners ativos de negócio, técnico e operacional, com regra de sucessão: identificadores de papel, data de aceite, delegados, unidade organizacional, status e evidência de detecção de órfãos. Saída ou inatividade do owner dispara redesignação, suspensão ou aposentadoria antes de o registro tornar-se órfão.

3. Decidir o que construir: intake e adequação

3.1 Intake de nova demanda

O ciclo começa antes de existir qualquer agente: capturar o problema, o mecanismo proposto, o owner e a necessidade de decisão antes de iniciar o design. O registro de intake inclui finalidade, baseline, usuários, pessoas afetadas, dados, ações, alternativas e urgência. A solicitação é encaminhada às decisões de adequação, risco e portfólio sem ignorar verificações de ownership ou escopo.

3.2 Adequação: agente é o mecanismo certo?

O primeiro gate não é "qual plataforma usar". É "precisamos mesmo de um agente?". Comportamento agentic aumenta variabilidade, custo de observabilidade e superfície de risco. Deve existir uma razão explícita para introduzir autonomia ou raciocínio probabilístico — registrada, não pressuposta. Processos determinísticos, estáveis e integralmente especificáveis costumam ser melhor atendidos por workflow, automação tradicional ou uma chamada de API.

Percorra a árvore na ordem — cada resposta muda o que precisa ser desenhado, não apenas o que precisa ser aprovado:

1. O problema exige interpretação de linguagem, contexto variável, planejamento ou seleção dinâmica de ferramentas? Se não — prefira solução determinística e registre a alternativa escolhida. Essa é uma decisão arquitetural legítima, não uma desistência.

2. A saída é apenas conteúdo ou pode gerar ação? Ação introduz exigências de autorização, rollback, trilha de auditoria e lifecycle que conteúdo não tem.

3. A ação é reversível? Irreversível ou material eleva o controle: avalie aprovação humana, step-up e circuit breaker antes de decidir a plataforma.

4. O agente acessará dados classificados? Confirme que a fonte está certificada ou registre a remediação antes do go-live, conforme o gate de dados.

5. Opera com usuário presente ou de forma autônoma? Isso decide identidade delegada versus identidade própria — e não pode ser decidido depois.

6. Há ferramentas, APIs ou servidores MCP? Classifique cada ação. O tier do agente não substitui a classificação da ferramenta.

7. O uso afeta pessoas, direitos, oportunidades, segurança física, processo regulado ou comunicação pública? Aciona o impact trigger screen e, quando aplicável, o impact assessment.

8. Onde cada controle vai residir? Management plane, gateway de runtime, broker de ferramentas, IAM, plataforma de dados, aplicação ou processo humano. Não concentre controle no prompt — prompt é instrução, não enforcement.

Exemplos de decisão:

Caso Decisão arquitetural Por quê
assistente de conhecimento recuperação somente leitura, identidade delegada, fontes certificadas, sem ferramenta de escrita o valor vem de interpretação e recuperação; ação transacional seria risco sem benefício
agente de service desk identidade própria, catálogo de ferramentas para criar e atualizar chamados, rollback e telemetria há escrita reversível e operação multiusuário; a atribuição precisa sobreviver à ausência do usuário
agente de contas a pagar identidade própria, broker de ferramentas, serviço de aprovação para pagamento, segregação de funções o escalador financeiro impede execução autônoma irrestrita
agente de operações de produção control plane de runtime, mediação de ferramenta privilegiada, remediações pré-aprovadas, circuit breaker a ferramenta é mais crítica que o modelo; o comando precisa ser autorizado fora do modelo

O último caso é o mais instrutivo: quando a ferramenta é privilegiada, a discussão sobre qual modelo usar é secundária. O controle está na autorização da ação, não na qualidade do raciocínio.

Onde registrar: a decisão vai no intake do caso de uso e, quando arquiteturalmente relevante, num ADR. Se a resposta for "não precisamos de agente", registre assim mesmo — decisão de não construir é a mais barata do portfólio e a que menos costuma ser documentada, o que faz a mesma discussão voltar seis meses depois.

3.3 Procurement e terceiros

Aplicar governança equivalente a agentes construídos, comprados, configurados, SaaS, low-code e operados por fornecedores: fornecedor, fronteira de serviço, deveres contratuais, evidências fornecidas, subprocessadores, direitos de saída, owner e lacunas não resolvidas. A terceirização não remove a accountability, e uma alegação de fornecedor sem evidência não pode satisfazer um controle bloqueante.

4. Medir e decidir valor: portfólio

4.1 Cadeia de valor: cada seta é uma hipótese

Problema observado
  → hipótese de intervenção
  → capability do agente
  → mudança de comportamento/processo
  → output mensurável
  → outcome
  → impacto, custo e efeitos colaterais

Cada seta é uma hipótese que precisa de evidência. Um bom output pode não gerar outcome; um outcome pode ter outras causas. Valor não pode ser inferido a partir de volume, uso ou narrativa de fornecedor.

4.2 Business case mínimo

  • problema e população afetada;
  • processo atual e baseline;
  • alternativa não-IA;
  • intended/prohibited use;
  • business e technical owner;
  • benefits esperados e harms possíveis;
  • custos build/run/change/support/assurance;
  • métricas de adoção, qualidade e outcome;
  • condições para manter, expandir, corrigir ou aposentar;
  • horizonte de revisão.

Hipótese mensurável: definir um resultado falseável, baseline pré-mudança e contrafactual crível com corte de evidências. Registrar owner da métrica, população, fórmula, alvo, fonte, confounders, custo e threshold de decisão. A authority precisa distinguir criação, adoção, qualidade e resultado — e poder interromper o trabalho quando a evidência não suporta expansão.

4.3 Métricas separadas: não agregue camadas em um "score"

Camada Exemplos
criação agentes, versões, tempo de build
descoberta busca, visualização, seleção correta
adoção usuários ativos, recorrência, workflow integration
uso tarefas, sessões, tool calls, volume
qualidade task success, erro, safety, groundedness
eficiência tempo/custo por tarefa com qualidade preservada
outcome backlog reduzido, cycle time, disponibilidade, erro operacional
impacto financeiro, humano, regulatório, ambiental ou estratégico

Não agregue essas camadas em um único "AI adoption score" sem preservar significado. A medição de custo por resultado está em FinOps e unit economics; a separação entre KPI, KRI e métrica operacional está em KPIs, KRIs e governance dashboard.

4.4 Baseline e atribuição: não atribua o que você não mediu

  • medir o processo antes ou reconstruir baseline com limitações declaradas;
  • comparar grupos, períodos ou tarefas equivalentes quando possível;
  • registrar outras mudanças que afetam o outcome;
  • distinguir correlação de causalidade;
  • incluir custo de revisão humana, suporte e incidentes;
  • comunicar intervalo, incerteza e qualidade do dado.

4.5 Portfolio governance e value review

O artefato que carrega o portfólio é o Agent Use-Case Portfolio: use case, sponsor, owner, tier, admissibilidade, status, valor esperado, valor observado, custo e flag de duplicidade. Ele responde "isso deveria continuar existindo", enquanto o registry responde "o que existe e quem responde por isso".

Decisões de portfólio consideram: alinhamento estratégico; valor esperado e evidence strength; risco e residual impact; duplicidade e reuse; dependências e concentração; custo total e capacidade operacional; timing e reversibilidade; opportunity cost.

Decisão Condição típica
manter outcome e risco dentro do envelope
expandir evidência suficiente, controls escaláveis e demanda legítima
corrigir valor plausível, mas quality/control gap tratável
restringir risco ou incerteza exige menor scope
substituir alternativa entrega melhor relação valor-risco-custo
aposentar sem owner, sem uso, sem outcome ou risco/custo injustificável

A priorização usa evidência de valor, risco, dependência, reuso e capacidade — não preferência do sponsor. A authority de portfólio consegue financiar, pausar, mesclar, restringir ou aposentar itens, e a decisão propaga-se aos registros de lifecycle.

4.6 Custo, consumo e FinOps

Atribuir consumo e custo operacional total a agente, owner, ambiente e resultado mensurável: custo unitário, orçamento, quota, previsão, variância, alocação de custo compartilhado, anomalia e decisão de otimização. Todo agente em produção (≥10 usuários) deve ter budget (cap) definido pelo business owner, com alertas e re-aprovação quando thresholds são excedidos; monitorar consumo (tokens, chamadas, minutos de GPU) e custo mensal; bloquear em caso de abuso/anomalia. Violação de threshold dispara throttling ou revisão. Alegações de custo permanecem separadas de alegações de realização de valor.

4.7 Adoção e utilização

Medir adoção pretendida, uso significativo e comportamento de workaround inseguro por população-alvo: população elegível, uso ativo, conclusão de tarefa, abandono, demanda de suporte, feedback e limitações de amostragem. O owner deve distinguir disponibilidade de adoção útil e poder mudar treinamento, design ou rollout com base em evidência.

Armadilha comum: premiar volume e criar agent sprawl; horas "economizadas" sem medir qualidade ou deslocamento de trabalho; manter agente porque já foi construído; ROI calculado com adoção projetada como fato.

5. Referência normativa

Condições mínimas que devem ser verdadeiras em cada ponto. Use como checklist de implementação e auditoria; as seções 1–4 explicam o porquê de cada item.

# Obrigação Evidência mínima Concluído quando
R1 Descobrir ativos implantados, experimentais, embarcados e de fornecedores por múltiplas fontes reconciliadas fonte de descoberta, última visualização, confiança, correspondência de owner, identidade não resolvida, status de remediação ativos sem owner ou shadow entram em contenção e resolução de ownership
R2 Operar o registry como índice autoritativo de identidade e lifecycle de todo agente em escopo ID estável, owner, finalidade, tier, admissibilidade, versão, ambiente, estado, dependências, último attestation reconciliação detecta registros ausentes/obsoletos/duplicados/inválidos e bloqueia transições exigidas
R3 Vincular cada ativo a owners ativos (negócio, técnico, operacional) com regra de sucessão identificadores de papel, data de aceite, delegados, unidade organizacional, status, detecção de órfãos saída/inatividade do owner dispara redesignação, suspensão ou aposentadoria antes de tornar-se órfão
R4 Documentar finalidade pretendida, usuários, não usuários afetados, usos excluídos e escala previsível declaração do caso de uso, análise de stakeholders, grupos afetados, ambiente, volume, premissas avaliação e monitoramento cobrem a população efetivamente afetada
R5 Enumerar toda dependência governada e a authority herdada por cada conexão blueprint referenciando registros aprovados de modelo, fonte, ferramenta, integração e fornecedor dependência não registrada/incompatível impede promoção; mudança material dispara reavaliação
R6 Manter identidade consistente entre ambientes separando configuração, authority e estado ambiente, release, hashes de artefato, configuração implantada, estado, fonte de promoção, alvo de rollback operadores reconciliam estado desejado/observado e não confundem aprovação de teste com produção
R7 Capturar problema, mecanismo, owner e necessidade de decisão antes do design registro de intake com finalidade, baseline, usuários, afetados, dados, ações, alternativas, urgência solicitação encaminhada às decisões de adequação, risco e portfólio sem ignorar ownership/escopo
R8 Comparar agente com alternativas determinísticas e não técnicas alternativas, necessidade de autonomia, incerteza, benefício esperado, custo de falha, decisão arquitetural agente prossegue somente com capacidade distintiva necessária e ônus de governança aceito
R9 Definir resultado falseável, baseline pré-mudança e contrafactual crível owner da métrica, população, fórmula, alvo, fonte, confounders, custo, threshold de decisão authority distingue criação/adoção/qualidade/resultado e interrompe quando evidência não suporta expansão
R10 Priorizar portfólio por evidência de valor, risco, dependência, reuso e capacidade pontuações comparáveis, capacidades duplicadas, serviços compartilhados, restrições, decisão, data de revisão authority financia/pausa/mescla/restringe/aposenta e decisão propaga-se ao lifecycle
R11 Atribuir consumo e custo total a agente, owner, ambiente e resultado custo unitário, orçamento, quota, previsão, variância, alocação compartilhada, anomalia, otimização threshold violado dispara throttling/revisão; custo separado de valor
R12 Medir adoção pretendida, uso significativo e workaround inseguro por população-alvo população elegível, uso ativo, conclusão, abandono, suporte, feedback, limitações de amostragem owner distingue disponibilidade de adoção útil e muda treinamento/design/rollout por evidência
R13 Aplicar governança equivalente a agentes comprados, configurados, SaaS, low-code e de fornecedores fornecedor, fronteira de serviço, deveres contratuais, evidências fornecidas, subprocessadores, saída, owner, lacunas terceirização não remove accountability; alegação sem evidência não satisfaz controle bloqueante
R14 Tornar a capacidade de inventário/portfólio autoritativa para todos os agentes em escopo registry/portfólio com owner, finalidade, usuários, dependências, estado, hipótese de valor, data da evidência, qualidade dos dados reconciliação detecta ativos sem owner/ausentes e authority decide financiar/reusar/restringir/consolidar/aposentar

6. Decision gates

  • Descoberta: o baseline só é aceito com data de corte, cobertura mensurável por fonte, gaps registrados com owner e distribuições de status e confidence declaradas separadamente. Cobertura desconhecida é gap crítico, não ausência de risco.
  • Registry: nenhum agente é construído em ambiente compartilhado ou publicado sem agent_id, owner, tier e admissibilidade registrados. Nenhum agente permanece em produção sem stage/operational state coerentes ou com quality finding crítico aberto.
  • Portfólio: nenhum item entra no portfólio financiado sem problema, owner, baseline (ou plano explícito para obtê-lo), value hypothesis, costs, metrics e sunset criteria.

7. Artefatos, evidências, métricas e failure modes

Artefatos - Agent Estate Inventory com confiança e data de corte; - Agent Registry schema e exemplo estruturado; - Agent Blueprint schema e exemplo estruturado; - template de registry e template de blueprint; - Agent Estate Forecast em três cenários, com mix de risco; - Manual Bottleneck Register priorizado; - Agent Use-Case Portfolio.

Evidências - registro autoritativo com owners, tier e estado por agente; - histórico de reconciliação entre registry e plataformas de origem; - baseline com data de corte e distribuição de confiança; - backlog de remediação de objetos probable e suspected; - blueprint versionado por release, com evidence refs; - relatórios de drift entre desired state e runtime; - business case, metric definitions, cost model; - adoption/quality/outcome reports e portfolio decisions.

Métricas - agentes descobertos sem owner (unmanaged) e tempo até remediação; - cobertura do registry contra fontes independentes; - campos obrigatórios vazios por tier; referências quebradas; - drift material entre blueprint e runtime; - proporção confirmed/probable/suspected ao longo do tempo; - shadow agents encontrados por ciclo de redescoberta; - desvio entre forecast e estate real; gargalos manuais eliminados por trimestre; - itens sem business owner ou baseline; duplicated capabilities; - custo por outcome e por tier; time-to-decision para corrigir ou aposentar.

Failure modes - registry como planilha mestre que ninguém reconcilia; - taxonomia derivada de produto em vez de comportamento; - inventário completo sem quality rules — lista bonita, controle zero; - blueprint gigante sem consumidor automatizado; - sobrescrever o blueprint aprovado ao publicar nova versão; - tratar descoberta como projeto de inventário pontual; - descartar sinais incertos para não "poluir" a métrica; - contar versões e instâncias como agentes distintos; - forecast apresentado como previsão contratual; - projetar volume sem projetar mix de risco; - automatizar decisões antes de estabilizar a policy; - valor inferido por número de agentes; - horas "economizadas" sem medir qualidade; - ROI com adoção projetada como fato; - ignorar custo de assurance e suporte; - manter agente porque já foi construído; - atribuir outcome ao agente sem baseline; - premiar volume e criar agent sprawl; - esconder externalities negativas.

Acceptance criteria

  • todas as decisões deste capítulo possuem authority, owner e evidência recuperável;
  • requisitos aplicáveis estão ligados ao catálogo de controles e ao método de verificação;
  • exceções têm escopo, justificativa, compensating controls, expiry e decisão residual;
  • controles de build time e runtime são distinguidos e exercitados quando aplicáveis;
  • mudanças materiais reabrem avaliação, aprovação e evidência;
  • nenhuma alegação de conformidade, eficácia ou valor excede a evidência observada.