07 — Avaliação, evidência e assurance¶
Visão geral¶
Antes de liberar um agente, a organização precisa responder com evidência: como sabemos que este sistema faz o que promete, dentro do risco aceito?
Este capítulo é a ponte entre "desenhamos os controles" (cap. 06) e "liberamos para produção" (cap. 08). Ele cobre três coisas que costumam ser confundidas:
- Avaliação (evaluation): gerar evidência de que o sistema atende ao uso pretendido, aos riscos e aos controles — antes do release e continuamente em operação.
- Evidência (evidence): empacotar resultados de forma recuperável, atribuída, versionada e íntegra — para que auditoria, investigação e reassessment sejam rápidos.
- Assurance (assurance): desafiar a evidência com níveis crescentes de independência — self-check, peer challenge e independent assurance.
O princípio que amarra tudo: a força da conclusão não pode exceder a força da evidência. E o complemento que evita burocracia: evidência é produto do processo — o eval gera o relatório, o gate gera o decision record, o deploy gera o baseline. Evidence pack montado depois, para satisfazer auditoria, custa mais e vale menos.
1. Estratégia de avaliação¶
1.1 A estratégia declara antes de testar¶
Uma estratégia de avaliação é aprovada antes de ver resultados: intended e prohibited use; scenarios e personas; quality dimensions; risk-based thresholds; datasets e provenance; automated e human evaluation; negative, adversarial e edge cases; slices relevantes; runtime metrics; promotion, rollback e sunset criteria.
O plano não pode ser afrouxado após um resultado reprovado sem decisão de mudança registrada. Test set escolhido depois de ver o resultado é a forma mais comum de auto-engano em avaliação.
1.2 Governança da avaliação e independência¶
Toda avaliação roda contra critérios pré-aprovados: escopo, versão, dataset ou amostra, método, thresholds, resultados, limitações, revisor e linhagem de evidência. Resultados são reproduzíveis, critérios reprovados bloqueiam ou condicionam o release, e a conclusão não excede o escopo testado nem a independência do revisor.
1.3 A pirâmide de avaliação¶
flowchart TB
U[Outcome e impacto real]
S[System/chain tests]
C[Component tests]
D[Data e test-set quality]
D --> C --> S --> U
| Camada | O que testa |
|---|---|
| Data e test set | representatividade contextual; provenance e licença; cobertura de red flags e edge cases; separação train/tune/test; versioning e leakage control |
| Component | prompt, model, retrieval, classifier e tool separadamente; schema, authz, safety e output validation; testes determinísticos para código e policy |
| System/chain | cenários end-to-end; multi-step tool use; indirect prompt injection; rollback e idempotency; latência, custo e propagação de falha; aprovação humana e escalonamento |
| Outcome | qualidade no processo real; impacto em pessoas e grupos; erro operacional; adoção e suporte; valor versus baseline |
1.4 Quality dimensions¶
Correctness e groundedness; relevance e completeness; safety e harmfulness; security e policy compliance; robustness e consistency; fairness por slices relevantes; transparency e citation quality; latency, availability e cost; task success e reversibility; human usability e override.
1.5 Thresholds: média agregada não pode compensar red flag¶
Todo threshold tem: métrica e unidade; dataset/scenario; rationale; owner; minimum e target; action quando falha; validade e review trigger. Média agregada não pode compensar falha em red flag. Gates críticos são binários quando a tolerância é zero.
1.6 LLM-as-judge: apoio de escala, não evidência única¶
Pode apoiar escala desde que: rubric e model/version registrados; calibração humana amostrada; bias e instability medidos; high-impact decisions não dependam de um único judge; outputs tratados como evidência auxiliar. LLM-as-judge pode auxiliar triagem; não é evidência única para riscos críticos.
2. Tipos de avaliação¶
2.1 Funcional e sucesso de tarefa¶
Testar tarefas representativas, transições de estado e tratamento de falhas contra requisitos de usuário e sistema: cenário, pré-condição, resultado esperado/real, versão, ambiente, cobertura e defeito. Tarefas críticas atingem o threshold; caminhos de borda ou exceção reprovados não podem ser escondidos por sucesso agregado.
2.2 Qualidade e confiabilidade¶
Medir repetibilidade, consistência e taxa de falha sob carga representativa e variação de entrada: amostra, repetições, variância, latência, modos de falha, intervalo de confiança e threshold. Resultados atingem alvos pré-aprovados nas fatias materiais e reexecuções permanecem dentro da tolerância.
2.3 Precisão, factualidade e ancoragem¶
Definir factualidade aceitável, qualidade de fonte e limites de conteúdo prejudicial para o contexto: categorias de afirmação, fontes autoritativas, conjunto de teste, verificações de citação, thresholds, exemplos de falha e resposta. Alegações materiais sem suporte são detectadas ou divulgadas; falha acima do threshold bloqueia ou restringe o uso.
2.4 Fairness e impacto¶
Definir danos de fairness específicos do contexto, grupos relevantes, fatias e disparidade aceitável antes de testar: rationale do grupo, métricas, adequação da amostra, thresholds, resultados, incerteza, mitigações e impacto residual. Desempenho agregado não pode esconder uma fatia material reprovada.
2.5 Privacidade¶
Estabelecer finalidade, base legal, minimização, tratamento de direitos, retenção e restrições de transferência: categorias de dados, titulares, origem, finalidade, acesso, fluxo, DPIA, testes e evidência de exclusão. Caminhos não autorizados falham em teste; direitos operáveis; mudança material reabre avaliação.
2.6 Segurança e adversarial¶
Modelar ameaças pelas fronteiras de identidade, prompt, dados, ferramenta, runtime e supply chain e testar caminhos materiais de abuso (ver cap. 06, seção 7): threat model, cenários, pré-condições, evidência de teste, descobertas, mitigações, residual e reteste. Caminhos de alto impacto prevenidos ou contidos; descobertas bloqueantes abertas impedem o release.
2.7 Abuso de prompt, contexto e ferramentas¶
Identificar uso indevido plausível, abuso, viés de automação, expansão de escopo e interação emergente antes do release: ator, cenário, pré-condição, impacto, detecção, controle preventivo, resposta e exposição residual. Cenários materiais testados ou explicitamente restritos; uso indevido observado alimenta controles.
2.8 Chamadas de ferramenta e ações¶
Testar seleção de ferramenta, construção de parâmetros, autorização, efeitos colaterais, idempotência e comportamento de recusa: versão da ferramenta, cenário, chamada esperada/observada, decisão de policy, efeito colateral, rollback e evidência. Chamadas não autorizadas ou malformadas bloqueadas; retries não podem duplicar uma ação consequente.
2.9 Supervisão humana¶
Testar que o humano consegue detectar, interromper, corrigir e escalonar uma falha representativa em vez de carimbar uma ação irreversível (ver cap. 02, seção 4): gatilho, informações apresentadas, authority, tempo de resposta, override, carga, treinamento e teste exercitado.
2.10 Robustez e fora da distribuição¶
Desafiar o sistema com deslocamentos de distribuição, ambiguidade, contexto ausente e degradação de dependências: design do deslocamento, amostra, comportamento seguro esperado/observado, incerteza, threshold e mitigação. O sistema degrada, abstém-se ou escalona dentro da fronteira aprovada em vez de agir com confiança fora da evidência.
2.11 Falha, rollback e contenção¶
Exercitar falhas de modelos, ferramentas, dados, policy, identidade e infraestrutura juntamente com contenção e rollback: falha injetada, blast radius, tempo de detecção/contenção, recuperação, preservação de evidências e descobertas. A falha permanece dentro do blast radius aprovado e a recuperação atinge seu alvo.
2.12 Avaliação contínua e em runtime¶
Monitorar comportamento em produção e resultados de controle que podem invalidar a aprovação: definições de sinais, baselines, fatias, thresholds, owner, rota de alerta, investigação e ação de lifecycle vinculada. Desvio material ou violação de threshold produz contenção ou reavaliação — não alerta informativo sem owner. Componentes de runtime: sample quality review; drift de input/output/source/user behavior; policy denials e safety signals; tool success e side effects; incidents, complaints e overrides; cost/latency regressions; canary e rollback criteria; periodic attestation.
2.13 Regressão após mudança¶
Retestar requisitos afetados após incidente, correção, mudança de dependência ou atualização de modelo/configuração: versões anterior e nova, cenários impactados, conjunto de regressão, resultado, lacunas residuais e disposição. A mudança não invalida silenciosamente evidências anteriores; regressão reprovada impede reativação ou promoção.
3. Evidence pack proporcional por tier¶
3.1 Todos os tiers produzem evidência¶
Governança proporcional não significa ausência de registro — significa que evidência simples e gerada automaticamente é suficiente quando o risco é baixo. Sem isso, a organização perde rastreabilidade exatamente onde o volume é maior.
| Tier | Pacote mínimo | Objetivo |
|---|---|---|
| T1 | agent_id e registro de descoberta; pre-screen com tier e admissibilidade; owners e contexto de uso; policy gate; blueprint reduzido; referências de fontes/tools aprovadas; padrão de identidade; logging padrão; testes funcionais; impact assessment quando trigger; rollback documentado; aprovação; data de attestation |
ownership, escopo conhecido e controles básicos sem review manual desnecessário |
| T2 | tudo de T1 + blueprint versionado; risk record formal com escaladores; domain reviews; aprovações de dados/tools; identidade e permissões; evals e testes de segurança; rollback testado; telemetria; residual risk; aprovação de publicação | assurance formal, investigação e reassessment de agente transacional |
| T3 | tudo de T2 + threat model e abuse cases; impact assessment; testes adversariais e de resiliência; design de oversight humano e step-up; teste de kill switch e quarentena; baseline de comportamento; aceite de residual risk pela authority; attestation frequente | autonomia e impacto elevados com assurance reforçado e contenção |
| T4 | tudo de T3 + architecture/assurance challenge reforçado; cenários críticos; segregation e dual control; containment/fail-safe exercitados; executive risk decision; attestation orientada a evento | investigação e decisão para impactos críticos ou difíceis de reverter |
O fast path de T1 não encurta a lista de T1: ele a gera automaticamente. A rota automatizada reduz trabalho humano, não a evidência exigida. E cada linha desta tabela precisa cobrir tudo que o Minimum Production Bar exige no mesmo tier — as duas tabelas não podem divergir: divergência é defeito, não nuance.
Overlay de admissibilidade: conditional inclui condições, owner, testes, monitoring e expiry; restricted inclui exception request, authority, compensating controls, escopo e expiry; prohibited inclui rationale e decision record de rejeição — não gera manifesto de release aprovado.
3.2 Qualidade da evidência¶
Um artefato só conta como evidência quando é:
- recuperável — endereço estável e alguém consegue abri-lo meses depois;
- atribuída — quem produziu, quando e com qual escopo;
- versionada — vinculada à versão do agente e do modelo de risco;
- íntegra — protegida contra alteração silenciosa (hash recomendado);
- interpretável — um terceiro competente entende o que ela demonstra sem o autor presente.
Uma caixa marcada não é evidência. Um print sem contexto, data ou origem não é evidência.
3.3 Retenção e acesso¶
Defina retenção por tier e por tipo de evidência, alinhada às obrigações; preserve evidência de versões anteriores (uma nova release não sobrescreve o histórico); em quarentena e incidente, a preservação é deliberada e vem antes da remediação; em retirada, arquive conforme a retenção antes de revogar acessos.
4. Auditabilidade: reconstruir o que aconteceu¶
4.1 Auditabilidade não é "logar tudo"¶
Logs indiscriminados aumentam risco de privacy, custo e exposição. O desenho equilibra: traceability; minimização; integridade; retenção; acesso; utilidade para investigação; separação entre telemetria e record oficial.
Eventos mínimos: criação/alteração de registry/blueprint; classificação e approvals; versões de model/prompt/tool/policy; decisões de authentication e authorization; correlação user/agent/tool; source IDs de retrieval; state-changing action e resultado; human approval, edit, deny e override; policy denial e alert; incident, quarantine, rollback e reactivation; attestation, exception e sunset.
Event envelope (o que cada evento carrega):
| Campo | Propósito |
|---|---|
| timestamp e timezone | ordenar e correlacionar |
| event ID / correlation ID | rastrear a chain |
| agent ID e version | identificar o sistema |
| user/delegated subject | atribuir contexto humano |
| tool/action | identificar capability |
| target/resource | localizar efeito |
| policy/control decision | explicar allow/deny |
| outcome/status | registrar resultado |
| evidence reference | apontar artefato protegido |
| sensitivity | aplicar acesso e retenção |
Sensitive payloads devem ser referenciados ou protegidos, não copiados sem necessidade. O AI Agent Audit Event schema oferece um envelope mínimo vendor-neutral.
Integridade e acesso: clock synchronization; append-only ou controles de integridade; segregação de administradores e auditores; access logging; redaction/tokenization; legal hold; teste de restauração e export; retention/deletion verificáveis.
4.2 Traceability graph¶
Business outcome
↕
Agent ID/version
↕
Blueprint → model/prompt/data/tool versions
↕
Risk/control/evaluation decisions
↕
Runtime events/incidents
↕
Attestation/value/sunset decision
4.3 Evidence package¶
Um package de release ou attestation deve ser: versionado; immutable ou tamper-evident; ligado a agent/version; completo segundo tier; acessível somente a roles autorizados; retido conforme policy; exportável para review; capaz de distinguir missing, not-applicable e passed. "Sem evidência" não significa "controle passou". Use o Release Evidence Manifest schema e o template humano.
5. Integração com o audit universe existente¶
5.1 A pergunta da primeira reunião¶
Auditoria interna vai perguntar: "como estes controles se relacionam com o que eu já testo?" Uma organização madura já tem universo de auditoria, ciclo de teste, matriz de controles financeiros e certificações. Um framework que chega como universo paralelo não é adotado — é tolerado até a próxima reorganização.
O que o catálogo oferece a auditoria (44 controls): scope (40 agent, 4 organization — organization nunca é bloqueante por design, ADR-0010); blocking (27 bloqueantes — candidatos naturais a control chave); automation (9 automated, 24 assisted, 10 manual, 1 mixed); verification declarado em todos — diz como a evidência é obtida.
5.2 Onde encaixar (não criar universo novo)¶
| Domínio do framework | Universo existente | O que muda |
|---|---|---|
| registry e ownership | gestão de ativos e CMDB | o ativo tem comportamento próprio e muda sem deploy; descoberta contínua, não recertificação anual |
| identidade | IAM e gestão de acessos | identidade não é de pessoa nem de serviço estático; JML cobre reatribuição de owner |
| dados | governança de dados e privacidade | autorização acontece na recuperação, não só na concessão |
| tools e MCP | gestão de mudanças e integrações | capacidade de ação pode crescer sem mudança de código |
| modelos e provedores | gestão de fornecedores | versão do fornecedor muda sem aviso e invalida avaliação |
| segurança | segurança da informação | superfície inclui a instrução, não só a interface |
| evaluations e release | SDLC e gestão de mudanças | critério de aceite probabilístico com threshold e slice |
| operações e runtime | continuidade e monitoramento | contenção exercitada, não documentada |
| Responsible AI e oversight | conformidade e conduta | frequentemente não tem universo prévio — nasce controle novo |
| valor e portfólio | gestão de benefícios | outcome contra baseline, não uso |
Só a linha de Responsible AI costuma exigir universo novo. As demais são extensão de escopo: a conversa muda de "crie um programa de auditoria de IA" para "acrescente estas perguntas ao que você já faz".
5.3 Três diferenças que quebram o teste convencional¶
- Evidência tem data de validade curta. Mudança de versão de modelo, fonte ou tool invalida a evidência no dia em que acontece. O teste amarra a evidência à versão do agente, não ao período.
- Amostragem por população homogênea não funciona. O estate é heterogêneo por tier — amostrar 25 agentes ao acaso mede quase só T1. A amostra é estratificada por tier e admissibilidade, com cobertura integral dos T3 e T4.
- Aprovação não é evidência de controle. Um release
conditionalaprovado não diz que as condições foram cumpridas — diz que foram impostas. O teste é sobre a verificação declarada de cada condição.
5.4 Onde começar um primeiro teste¶
- Completude e ownership do registry — agente em produção sem business owner é o achado mais comum e o mais fácil de evidenciar.
- Os 27 controls bloqueantes — verificando se realmente bloqueiam (control bloqueante que nunca reprovou merece investigação).
- Attestation vencida em agentes ativos.
- Condições de release com prazo expirado e agentes ainda operando.
- Bindings de catálogo — modelo, fonte ou tool em uso sem entrada aprovada.
Os itens 4 e 5 são verificáveis por consulta a records estruturados, sem entrevista. Comece por onde a evidência já é máquina-legível.
Limites declarados: este framework não é mapeamento control a control contra ISO/IEC 42001, 23894, 42005, SOX ou qualquer norma específica. Os frameworkMappings declaram alinhamento direcional — "não constitui equivalência, conformidade nem atestação". Quem precisar de mapeamento formal adquire os textos normativos e o produz internamente com a authority competente.
6. Assurance: níveis de independência¶
6.1 Três níveis¶
| Nível | O que é | Limitação |
|---|---|---|
| Self-check | o control owner avalia a própria implementação | auto-revisão não é assurance independente |
| Peer challenge | par qualificado fora do produto de trabalho imediato desafia evidências, rationale e cenários ausentes | conflitos declarados; fechamento exige evidência, não consenso |
| Independent assurance | revisor sem responsabilidade por design/implementação/operação do objeto | requisitos formais de independência (ver cap. 02, seção 3.5) |
Autoavaliação: owners avaliam contra critérios definidos enquanto declaram limitações da auto-revisão: papel do avaliador, alegações, evidências, lacunas, confiança, conflitos, decisão solicitada e challenge do revisor. A autoavaliação encaminha lacunas materiais para revisão e nunca é apresentada como assurance independente.
6.2 Descobertas, ação corretiva e fechamento¶
Toda descoberta tem causa raiz, prioridade baseada em risco, ação corretiva e critério de fechamento: descoberta, evidência, owner, vencimento, controle provisório, causa raiz, remediação, reteste e disposição do revisor. O fechamento exige evidência objetiva de reteste; descobertas materiais vencidas permanecem visíveis e afetam a aprovação.
7. Score de prontidão do dossiê¶
7.1 Por que pontuar o preenchimento¶
Chegou a hora da decisão go/no-go — e surge a pergunta prática: como sabemos que o dossiê está completo o bastante para ser julgado? Sem uma resposta objetiva, o gate vira negociação: "está quase tudo, aprova aí". O score de prontidão existe para transformar essa negociação em regra.
O score responde a uma pergunta e apenas uma: o dossiê está completo e evidenciado no nível que o tier exige? Ele não mede risco (isso é o tier do cap. 04), não mede qualidade do agente (isso é a avaliação das seções 1–2) e não mede maturidade organizacional (isso é o maturity model). É uma medida de prontidão para decisão.
7.2 Como funciona¶
Cada campo obrigatório da autoavaliação vira um item pontuável, agrupado em categorias com pesos: identificação vale menos que dados, dados valem menos que os itens críticos.
| Resposta ao item | Pontos |
|---|---|
| Preenchido com evidência recuperável | pontos cheios |
| Preenchido sem evidência | metade dos pontos |
missing |
zero |
Item crítico missing |
bloqueador — o score não importa |
Itens críticos: owners nomeados e vivos; classificação dos dados e destino de processamento; HITL definido quando há ação state-changing; kill switch com owner e método testado; testes mínimos (prompt injection, exfiltração, tool-use) com evidência. Um único item crítico ausente bloqueia o gate — por design, para impedir que um score alto compense uma lacuna grave.
Threshold por tier:
| Tier | Score mínimo | Bloqueadores |
|---|---|---|
| T1 | ≥ 70 | zero |
| T2 | ≥ 80 | zero |
| T3 | ≥ 90 | zero |
| T4 | 100 | zero |
7.3 Regras de leitura¶
- Score abaixo do threshold = voltar ao trabalho, não "aprovar com observações". O gate não é um espaço para negociar completeza.
- Score alto com bloqueador ativo continua bloqueado. O bloqueador é binário; o score é gradiente.
- O score é um instantâneo datado, não uma nota permanente: registre data, avaliador e versão do dossiê avaliado. Após correções, o score é recalculado — e o histórico mostra que ele subiu, quando e por quê.
- Thresholds são calibrados pela organização com os primeiros 20–30 casos reais, como qualquer parâmetro do framework. Os valores acima são ponto de partida, não SLA universal.
7.4 Armadilhas comuns¶
- Confundir score de prontidão com score de risco. Um dossiê 100% completo de um agente que executa pagamentos continua T3/T4. Um dossiê 40% completo de um assistente de leitura continua T1 — e ainda não pode seguir para o gate.
- Premiar texto sem evidência. "Logs: sim" sem configuração observável vale metade — e metade em todos os itens de peso 2 é o suficiente para falhar o threshold honestamente.
- Usar o score como métrica de desempenho do time. O score mede o dossiê, não a pessoa. Rastrear score médio por time vira incentivo para inflar formulários.
- Recalcular sem registrar. Um score novo sem data e avaliador é uma nota sem contexto; dois scores diferentes sem histórico viram disputa de "quem tem razão".
8. Decisão go, conditional-go e no-go¶
O release é decidido somente a partir do pacote vinculado de evidências de risco, avaliação, controle e operação: decisão, authority, versões, critérios aprovados e reprovados, condições, expiração, alvo de rollback e descobertas não resolvidas.
flowchart LR
B[Baseline] --> T[Test plan]
T --> E[Execute]
E --> F{Thresholds}
F -->|pass| R[Review evidence]
F -->|fail| X[Remediate]
R --> D{Authority}
D -->|approve| P[Release]
D -->|condition| X
D -->|reject| N[Stop]
Controles bloqueantes não podem ser dispensados por aprovação condicional; condições expiradas interrompem a operação continuada. Um release conditional aprovado impõe condições — o teste é sobre a verificação declarada de cada condição.
9. Referência normativa¶
Condições mínimas que devem ser verdadeiras. Use como checklist; as seções 1–8 explicam o porquê.
| # | Obrigação | Evidência mínima | Concluído quando |
|---|---|---|---|
| R1 | Executar avaliação contra critérios pré-aprovados | escopo, versão, dataset/amostra, método, thresholds, resultados, limitações, revisor, linhagem | resultados reproduzíveis; reprovação bloqueia/condiciona; conclusão não excede escopo/independência |
| R2 | Aprovar estratégia de avaliação antes de ver resultados | plano com caso de uso, tier, versões, ambientes, métodos, critérios, owner | plano cobre modos de falha materiais; não afrouxado sem decisão registrada |
| R3 | Testar tarefas representativas, transições e falhas | cenário, pré-condição, esperado/real, versão, ambiente, cobertura, defeito | tarefas críticas no threshold; borda/exceção não escondida por sucesso agregado |
| R4 | Medir repetibilidade, consistência e taxa de falha | amostra, repetições, variância, latência, modos de falha, intervalo, threshold | alvos de confiabilidade nas fatias materiais; reexecuções na tolerância |
| R5 | Definir factualidade aceitável e limites de conteúdo | categorias, fontes, conjunto de teste, citações, thresholds, falhas, resposta | alegações materiais sem suporte detectadas/divulgadas; falha bloqueia uso |
| R6 | Definir danos de fairness, grupos, fatias e disparidade antes de testar | rationale do grupo, métricas, amostra, thresholds, resultados, incerteza, mitigações | agregado não esconde fatia reprovada; dano escalonado à authority |
| R7 | Estabelecer finalidade, base legal, minimização, direitos e retenção | categorias, titulares, origem, finalidade, acesso, fluxo, DPIA, testes, exclusão | caminhos não autorizados falham; direitos operáveis; mudança reabre avaliação |
| R8 | Testar caminhos materiais de abuso por fronteira | threat model, cenários, pré-condições, evidência, descobertas, mitigações, residual, reteste | alto impacto prevenido/contido; bloqueantes abertos impedem release |
| R9 | Identificar uso indevido previsível antes do release | ator, cenário, pré-condição, impacto, detecção, controle, resposta, residual | cenários materiais testados/restritos; observado alimenta controles |
| R10 | Testar seleção de ferramenta, parâmetros, autorização e efeitos | versão da tool, cenário, chamada esperada/observada, policy, efeito, rollback | não autorizadas/malformadas bloqueadas; retries não duplicam ação |
| R11 | Testar que o humano detecta, interrompe, corrige e escala | gatilho, informações, authority, tempo, override, carga, treinamento, teste | humano age antes de carimbar ação irreversível |
| R12 | Desafiar com deslocamentos, ambiguidade e degradação | design do deslocamento, amostra, esperado/observado, incerteza, threshold, mitigação | sistema degrada/abstém/escalona dentro da fronteira aprovada |
| R13 | Exercitar falhas de componentes e contenção/rollback | falha injetada, blast radius, tempos, recuperação, evidência, descobertas | falha dentro do blast radius aprovado; recuperação atinge alvo |
| R14 | Classificar evidências de fornecedor por fonte, escopo, atualidade e independência | alegação, artefato, versão, escopo, corroboração, lacunas, contrato, revisor | marketing/auto-attestation não satisfaz controle que exige evidência observada |
| R15 | Aprovar critérios quantitativos e qualitativos antes de executar | métrica, população, fatia, threshold, rationale, incerteza, status, histórico | bloqueantes não diluídos por média nem afrouxados retroativamente |
| R16 | Construir datasets representativos e governados | provenance, direitos, período, amostragem, fatias, leakage, qualidade, versão | cobertura/limitações explícitas; teste não contamina treinamento |
| R17 | Vincular todo resultado a versões de código, modelo, prompt, policy, dados e ambiente | hashes, parâmetros, randomização, timestamp, reexecução | revisor reproduz ou explica variância material |
| R18 | Coletar evidências com identidade, fonte, tempo, versão, integridade e custódia | manifesto com artefatos, hashes, produtor, ambiente, método, resultado, limitação | revisor recupera e reproduz alegação; ausência vira lacuna, não sucesso |
| R19 | Decidir release somente pelo pacote vinculado de evidências | decisão, authority, versões, critérios, condições, expiração, rollback, descobertas | bloqueantes não dispensados por aprovação condicional; condições expiradas interrompem |
| R20 | Monitorar comportamento em produção que invalida aprovação | sinais, baselines, fatias, thresholds, owner, alerta, investigação, ação | desvio material produz contenção/reavaliação, não alerta sem owner |
| R21 | Retestar requisitos afetados após mudança | versões, cenários impactados, regressão, resultado, lacunas, disposição | mudança não invalida evidência; regressão reprovada impede promoção |
| R22 | Exigir autoavaliação com limitações declaradas | papel, alegações, evidências, lacunas, confiança, conflitos, decisão, challenge | lacunas materiais encaminhadas; nunca apresentada como independente |
| R23 | Designar peer challenge fora do produto de trabalho | revisor, conflitos, perguntas, evidências, discordâncias, disposição, ações | alegações disputadas visíveis; fechamento por evidência |
| R24 | Atribuir causa raiz, prioridade e critério de fechamento a cada descoberta | descoberta, evidência, owner, vencimento, controle provisório, causa, remediação, reteste | fechamento exige reteste objetivo; vencidas afetam aprovação |
| R25 | Definir retenção, acesso e legal hold de evidências | classificação, grupos, custodiano, gatilho, período, disposição, recuperação | recuperáveis no prazo; expirados descartados sem romper linhagem |
| R26 | Calcular o score de prontidão do dossiê antes de julgar o gate | score datado com avaliador, pontos por categoria, itens críticos, threshold do tier | score no threshold sem bloqueadores; abaixo do threshold volta ao trabalho |
10. Evidências, métricas e failure modes¶
Evidências: logging specification; sample events e schema; audit event estruturado; access/retention configuration; integrity test; evidence package index; release evidence manifest; audit export test; deletion e legal-hold records; versioned evaluation plan; test sets e provenance; raw e summarized results; failure analysis; human review/calibration; gate decision; runtime trend e incident feedback; regression suite; índice do pacote por release; verificação de completude no gate.
Métricas: actions sem correlation ID; events atrasados/incompletos/duplicados; agents sem version identificável; evidence packages incompletos; unauthorized log access; retention/deletion failures; tempo para reconstruir um incident; controls com evidence link quebrado; releases com pack incompleto no gate; evidências referenciadas que não abrem; tempo médio para reunir pacote sob investigação; proporção de evidência automática vs manual; evidências fora da retenção; coverage de critical scenarios; pass/fail por dimension e slice; escaped defects; judge-human agreement; tempo para avaliar após mudança; agentes operando com evidência expirada.
Failure modes: logar prompt completo por padrão; usar dashboard agregado como audit trail; não versionar prompt/model/tool; mesmo admin altera ação e evidência; logs sem busca/export; apagar evidência no sunset antes da retenção; marcar missing como not-applicable; montar pacote depois para a auditoria; tratar caixa marcada como evidência; pacote pesado em T1 insustentável; pacote leve em T3 que não sustenta investigação; sobrescrever evidência ao publicar; demo usada como evaluation; test set escolhido depois do resultado; threshold sem rationale; avaliar só output textual e ignorar tool effect; confiar em média agregada; LLM judge sem calibração; release approval sem raw evidence; não converter incidentes em regression tests.
Decision gates¶
- Auditabilidade: a release authority exige event model, retention, access, correlation e evidence package compatíveis com o tier antes de produção.
- Evidence pack: nenhum release é aprovado com item obrigatório do pacote do tier ausente. Ausência de evidência é registrada como
missinge nunca convertida empassed. - Promotion: a decisão go/conditional/no-go sai somente do pacote vinculado, com thresholds aprovados e authority compatível.
Acceptance criteria¶
- todas as decisões deste capítulo possuem authority, owner e evidência recuperável;
- requisitos aplicáveis estão ligados ao catálogo de controles e ao método de verificação;
- exceções têm escopo, justificativa, compensating controls, expiry e decisão residual;
- controles de build time e runtime são distinguidos e exercitados quando aplicáveis;
- mudanças materiais reabrem avaliação, aprovação e evidência;
- nenhuma alegação de conformidade, eficácia ou valor excede a evidência observada.