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06 — Arquitetura e controles técnicos

Visão geral

A arquitetura responde a uma pergunta que determina se todo o framework funciona: onde cada controle realmente mora?

  • Se o controle de autorização vive no prompt, ele pode ser contornado com uma frase.
  • Se vive num gateway de policy, ele vale para todos os agentes, em todas as plataformas.
  • Se a identidade é uma service account compartilhada, nenhuma ação é atribuível.
  • Se a ferramenta é mais crítica que o modelo, a discussão sobre qual modelo usar é secundária.

Este capítulo é o maior do framework porque cobre os seis domínios técnicos onde a governança se torna enforcement: arquitetura e capability map, identidade e acesso, dados e AI-ready, modelos e provedores, tools/APIs/MCP, e segurança. Cada domínio segue o mesmo padrão: o que é, o que decidir, como implantar (playbook), e o que bloqueia o release (decision gate).

A ideia central, expressa em dois princípios:

  1. Capability antes de produto. A arquitetura define capabilities e boundaries independentes de plataforma; qualquer produto é uma implementação substituível. Troca-se o mapeamento, nunca se reescreve a arquitetura.
  2. Controle fora do modelo. O modelo propõe; a plataforma decide. Identity, policy, mediação de ferramentas, egress, rate limit, logging e contenção acontecem em pontos de enforcement conhecidos — nunca "no prompt".

1. A arquitetura de referência: cinco planos

1.1 O modelo em cinco planos

flowchart TB
    V["1. Estratégia e valor\nobjetivo • persona • KPI • business owner"]
    C["2. Control plane\nregistry • blueprint • identity • lifecycle • policy"]
    A["3. Assurance plane\nimpact • release • RAI • privacy • security"]
    S["4. Adoption and support\ncoortes • champions • enablement • backstops"]
    R["5. Runtime and value\ntelemetria • risco • uso • remediação • attestation"]

    V --> C
    C --> A
    A --> S
    S --> R
    R -->|feedback, incidentes e valor| V
    R -->|quarantine, rollback, sunset| C
Plano O que faz Artefatos
1. Estratégia e valor define por que o agente existe, qual processo afeta, quem responde e como sucesso é medido business case, persona, baseline, KPI, owner, critérios de sunset
2. Control plane mantém a visão compartilhada de agentes, ownership, identidade, capacidades, dados e lifecycle registry, agent blueprint, identity record, policy template, attestation
3. Assurance plane avalia impactos, riscos, mitigadores, testes e accountability antes e durante a operação self-assessment, impact assessment, release assessment, threat model, evidence package, waiver
4. Adoption and support prepara builders, usuários, líderes e suporte para criar e operar com segurança adoption plan, coortes, learning assets, champion network, support model
5. Runtime and value observa comportamento, segurança, acesso, uso e valor; executa remediação e realimenta decisões logs, dashboards, alerts, incidents, quarantine, rollback, value review

Domínios canônicos por plano: os cinco planos são a arquitetura; os domínios são a organização editorial do corpus. Um domínio pertence a um plano principal, mas quase sempre produz evidência consumida por outros. Um domínio novo só se justifica quando altera decisão, authority, control ou evidência — subdividir por afinidade temática aumenta manutenção sem aumentar governança.

1.2 O fluxo ponta a ponta

flowchart LR
    I[Ideia] --> B[Business case]
    B --> G[Registro]
    G --> D[Dados AI-ready]
    D --> IA[Impact assessment]
    IA --> DEV[Build + blueprint]
    DEV --> T[Testes]
    T --> RA[Release assessment]
    RA --> P[Publicação]
    P --> AD[Adoção + suporte]
    AD --> O[Observabilidade]
    O --> X{Decisão}
    X -->|manter/promover| O
    X -->|corrigir| DEV
    X -->|restringir/quarentenar| P
    X -->|aposentar| S[Sunset]

1.3 Matriz de proporcionalidade

O grau de governança aumenta quando cresce qualquer uma destas dimensões: alcance e número de usuários; sensibilidade e criticidade dos dados; escrita, ação ou automação de workflows; interconectividade e uso de APIs/MCP; irreversibilidade; impacto financeiro, operacional, legal ou humano; autonomia; distribuição regional e exposição externa.

1.4 Boundaries: o que o control plane deve (e não deve) fazer

O control plane deve: consolidar contexto; reconciliar inventário; expor postura e sinais; acionar workflows e ferramentas especializadas; registrar evidências e decisões.

O control plane não deve: substituir sistemas de identidade ou DLP; decidir sozinho risco residual; transformar telemetria incompleta em falsa certeza; centralizar toda responsabilidade em um único time; confundir uso com valor.

1.5 Princípios arquiteturais

  1. Proporcional: controles crescem com risco e capacidade.
  2. Embedded by default: guardrails entram nas ferramentas e pipelines.
  3. Human-led: accountability e julgamento permanecem humanos.
  4. Observable and remediable: toda autonomia relevante precisa de sinal e ação.
  5. Federated with common controls: domínios mantêm ownership; padrões comuns preservam confiança.
  6. Lifecycle-aware: criação, mudança, attestation e sunset são partes do mesmo sistema.
  7. Platform-agnostic: a policy é comum; adapters e evidências variam por plataforma.

1.6 Playbook do runtime control plane

O control plane transforma os standards dos domínios em enforcement técnico. A arquitetura precisa deixar explícito onde autenticação, policy, acesso a modelo, mediação de ferramentas, egress, rate limit, logging e contenção realmente acontecem:

  1. Separar management plane de runtime plane. O primeiro guarda registry, policy, lifecycle e configuração; o segundo executa sessões, recuperação, modelos e ferramentas. A separação revela onde cada controle deve residir.
  2. Definir pontos de enforcement comuns. Gateways e brokers para modelos, ferramentas e egress onde isso reduzir bypass. Nem todo tráfego precisa passar por um único componente, mas toda rota de produção precisa de enforcement conhecido.
  3. Modelar o fluxo ponta a ponta por tier. Gatilho → agente → identidade → dados/ferramenta/modelo → policy → telemetria → resposta. Desenhar ao menos um fluxo T1, um T2 e um T3 para verificar que nenhum controle depende de conhecimento implícito.
  4. Implementar isolamento e fronteiras de rede. Egress, endpoints privados, separação de ambientes, fronteira de secrets e acesso a sistemas críticos. Workloads privilegiados merecem runtime isolado e allowlists mais restritas.
  5. Definir limites operacionais. Timeouts, máximo de chamadas e profundidade de cadeia, concorrência, política de retry, limite de contexto, budget e circuit breaker. São controles de resiliência e custo, não tuning.
  6. Projetar fallback e comportamento de falha. Decidir o que acontece quando modelo, índice, ferramenta ou identidade falham. Fail-closed pode ser obrigatório em ação crítica; em leitura pode haver degradação controlada — mas a escolha é explícita.
  7. Padronizar correlation IDs e telemetria. Uma execução precisa ser rastreável por tarefa, sessão, agente, usuário, modelo, ferramenta e policy. Sem correlação, segurança, custo e valor ficam em silos.
  8. Validar por teste e cenário de ameaça. Exercitar falha de componente, bypass de policy, negação de permissão, loop descontrolado, indisponibilidade de provedor e quarentena. A arquitetura de referência só está pronta quando os padrões são demonstráveis em um piloto.

1.7 Atributos de qualidade

Atributo Significado
Auditability toda decisão relevante tem owner, timestamp, evidência, versão e vínculo com agent ID
Observability operação expõe ações, ferramentas, dados acessados, erros, custo, policy signals e uso suficiente para decisão
Remediability restringir, quarentenar, corrigir, reverter e aposentar dentro de SLAs proporcionais ao risco
Accountability business owner, technical owner e authorities com responsabilidade e autoridade separadas
Interoperability registry, evidence e policy controls funcionam em múltiplas plataformas
Security and privacy least privilege, workload identity, secrets management, DLP, data boundaries e secure-by-default
Reliability agentes críticos exigem métricas, error handling, rollback, fallback e continuidade
Usability builders e usuários entendem limites, approvals, status e próximos passos sem especialistas
Evolvability risk matrix, connector catalog, model/tool inventory e policy templates aceitam novas capacidades sem reescrita
Measurability criação, descoberta, uso, qualidade, risco, custo e valor distinguíveis e comparáveis a baselines

1.8 Riscos arquiteturais (conhecer para mitigar)

Risco Consequência Mitigação arquitetural
Catálogo incompleto falsa confiança e agentes órfãos reconciliation, missing-evidence status, coverage metrics
Centralização excessiva gargalo, shadow AI e baixa accountability local ownership federado, common controls, handoffs explícitos
Aprovação igual para todos burocracia no baixo risco, revisão insuficiente no alto risk matrix proporcional por alcance e capacidade
Telemetria sem ação dashboard decorativo e incidentes sem owner alert-to-workflow, authority, SLA e remediation states
Automação prematura enforcement incorreto e exceções ocultas escopo controlado, baselines, evidence before automation
Dados não confiáveis respostas erradas, oversharing e decisões inválidas AI-ready data, labels, connector gates e lineage
Identidade fraca ou compartilhada acesso indevido e baixa rastreabilidade workload identity, least privilege, lifecycle de credenciais
MCP sem governança tool poisoning, exfiltration e blast radius ampliado gateway, vetting, inventory, isolation e context trimming
Métricas de vaidade investimento em agentes sem valor separar criação, descoberta, uso, qualidade e outcomes
Dependência de fornecedor lock-in e perda de controle policy e schemas multiplataforma, logs exportáveis, adapters
Owners nominais reviews e incidents sem decisão efetiva authority explícita, attestation e escalation path
Policy drift agentes ficam não conformes após mudanças versionamento, review triggers, compliance monitoring

Review triggers: nova plataforma/model provider/connector/MCP; expansão regional ou exposição externa; mudança de autonomia ou capacidade de escrita/ação; incidente relevante; alteração regulatória; evidência operacional do portfólio inicial.

2. Mapeamento de capability para tecnologia

2.1 Por que o mapeamento é um artefato separado

A arquitetura de referência e a policy são agnósticas de produto por decisão registrada. O mapeamento não é: ele nomeia sistemas concretos da organização. Manter os dois no mesmo documento é o erro que produz frameworks descartáveis — quando o produto muda (e ele muda), uma arquitetura contaminada por nomes de produto precisa ser reescrita inteira. Separados, troca-se o mapeamento e a arquitetura permanece. Por isso este framework descreve o método e as categorias; o mapeamento preenchido é artefato da organização e vive fora do repositório.

2.2 Método (a ordem importa)

  1. Comece pela capability e pelo controle, nunca pelo produto. A frase de partida é "precisamos de registry com owner, tier e lifecycle" — não "precisamos de uma ferramenta de governança de agentes".
  2. Identifique os systems of record existentes que já fornecem parte da função. Quase nenhuma organização parte do zero: inventário, identidade, risco, integração, telemetria e catálogo de dados normalmente já existem com owner e processo.
  3. Defina contrato de integração e source of truth por atributo. Não por sistema — por atributo. Owner de negócio pode vir do RH, tier do registro de risco, estado operacional da plataforma de execução. Duplicar ownership do mesmo atributo em cinco sistemas é como se perde a rastreabilidade.
  4. Só então avalie produtos para os gaps remanescentes. Um produto pode cobrir várias capabilities; isso é vantagem operacional, não razão para o framework depender do nome dele.
  5. Registre um ADR para toda decisão que cria lock-in, centraliza enforcement ou altera trust boundary. Essas três são reversíveis apenas com custo alto, e a justificativa precisa sobreviver à saída de quem decidiu.

Invertida — produto primeiro, capability depois — a organização passa a chamar de governança aquilo que a ferramenta comprada faz.

2.3 Capacidades a mapear

Capability Função de controle Categorias que costumam fornecer Decidir antes de escolher produto
estate e registry existência, ownership, tier e estado de cada agente inventário de configuração, ITSM, GRC, plataforma de execução quem é source of truth de cada campo e como conflitos são reconciliados
identidade não-humana emissão, escopo, expiry e revogação de identidade própria IAM, gestão de segredos identidade delegada, própria ou ambas; como JML se aplica
dados certificados quais fontes podem ser usadas, por quem e com quais restrições catálogo de dados, DLP, plataforma de dados critério de certificação e autoridade sobre a fonte
mediação de ações autorização por ação e parâmetro antes da execução gateway de API, camada de integração, broker próprio quais ações exigem mediação e quais permanecem no builder
acesso a modelos roteamento, allowlist, budget, fallback e logging gateway de modelos ou proxy de inferência combinações modelo/provedor permitidas por classe de dado
lifecycle e attestation transições, dormancy, revalidação e retirada GRC, ITSM, o próprio registry o que é mudança material e o que dispara reassessment
observabilidade e correlação reconstruir o que aconteceu, ponta a ponta observabilidade, SIEM schema de telemetria e chave de correlação comuns
custo e unit economics orçamento, quota e custo por resultado gestão de custo de nuvem, FinOps qual é a unidade de resultado antes de medir custo por ela
evidência pacote recuperável, versionado e íntegro por release GRC, repositório de evidências retenção por tier e como a integridade é verificada

2.4 Regra do source of truth

Um atributo tem exatamente um sistema autoritativo. Os demais consomem e podem exibir, nunca redefinir. Quando dois sistemas discordam, a divergência é finding — não é resolvida escolhendo o valor mais recente. Reconciliação silenciosa por timestamp destrói a evidência de que houve conflito, que costuma ser o sinal mais útil.

2.5 Quando o mapeamento exige ADR

  • a decisão cria dependência difícil de reverter em prazo aceitável;
  • o enforcement de um controle passa a existir em um único componente;
  • a fronteira de confiança muda, incluindo quem pode emitir identidade ou autorizar ação;
  • uma capability passa a depender de um sistema fora do perímetro de assurance.

Decision gate: uma capability não é declarada implantada sem sistema atribuído, source of truth por atributo e evidência recuperável. Cobertura prometida por roadmap de fornecedor não é cobertura.

3. Identidade e acesso

3.1 O princípio

Agentes não devem herdar implicitamente a identidade ampla de um usuário, builder, service account compartilhada ou runtime genérico. A identidade precisa refletir quem opera, qual agente executa, em nome de quem, para qual finalidade e sob quais limites. Identidade é o ponto que transforma atividade do agente em ação atribuível.

3.2 Modelos de identidade

Modelo Uso aceitável Risco principal
identidade do usuário delegada ação interativa, no escopo do usuário privilege laundering e consentimento ambíguo
workload identity do agente execução autônoma ou serviço privilégio persistente e ownerless identity
identidade por execução tarefas efêmeras ou sensíveis complexidade de emissão e correlação
service account compartilhada legado temporário com waiver baixa atribuição e blast radius amplo
credencial embutida nenhum segredo exposto e impossível de governar

Service accounts compartilhadas exigem plano de eliminação, controles compensatórios e expiração da exceção.

3.3 Requisitos mínimos

  1. Cada agente possui business owner, technical owner e identidade registrada.
  2. Produção usa identidade não humana quando a plataforma suporta.
  3. Secrets não ficam em prompt, código, blueprint público ou configuração não protegida.
  4. Scopes são derivados de tarefas aprovadas, não da conveniência do builder.
  5. Acesso privilegiado é just-in-time, time-bound e reautorizado quando possível.
  6. A identidade é revogada no sunset, troca de owner ou fim da finalidade.
  7. Ações registram actor humano, agent identity, delegated subject e correlation ID.
  8. Mudanças de role, scope, tenant, região ou credencial são material changes.
  9. Break-glass possui authority, logging, alerta e revisão posterior.
  10. O agente não pode conceder a si mesmo novos privilégios.

3.4 Matriz de autorização (o blueprint mapeia)

Campo Exemplo de decisão
recurso sistema, API, dataset, fila ou tool
ação read, write, approve, execute, delete, delegate
condição ambiente, horário, região, valor ou tipo de dado
subject workload, usuário delegado ou equipe
duração sessão, tarefa, janela ou prazo
approval automático, owner, dual control ou proibido
evidence policy, role binding, token claim ou log

Permissões em produção são testadas com casos positivos e negativos. Least privilege não é apenas limitar a API: uma ferramenta de atualização pode editar descrição sem poder alterar prioridade crítica; uma ferramenta de pagamento pode consultar sem poder executar acima do limite sem aprovação humana.

3.5 Delegação e "on behalf of"

Quando um agente atua em nome de um usuário: a interface deixa claro qual ação será executada; o consentimento cobre objeto, destino e efeito; o token não amplia privilégios do usuário; a decisão distingue recomendação, preparação e execução; ações irreversíveis exigem confirmação compatível com o risco; logs preservam usuário, agente, tool e resultado. A delegação não transfere accountability do sistema para o usuário final.

3.6 Controles por tier

Tier Controle adicional
T1 — baixo identidade atribuível e scopes documentados
T2 — moderado workload identity, expiry e teste negativo
T3 — alto JIT, dual control para privilégio, session recording quando cabível
T4 — crítico isolamento dedicado, autorização por transação e monitoramento contínuo

3.7 Playbook de implantação

  1. Classificar os modos de atuação. Existe usuário presente? A ação ocorre no escopo dele? O agente executa assíncrono ou para múltiplos usuários? Identidade delegada só quando a sessão humana e o escopo são reais; identidade própria quando o agente age por conta própria.
  2. Inventariar e remediar credenciais. Descobrir chaves de API, service accounts, tokens pessoais e secrets em builders, CI/CD e runtimes. Classificar como aprovada, transitória ou proibida, com owner e prazo. Credencial compartilhada em T2/T3 é finding, não detalhe técnico.
  3. Padronizar emissão e ownership. Convenção de nomes, owner, ambiente, expiry, tags, authority de criação e contato de recuperação. O registry precisa correlacionar agent_ididentity_id ↔ owner.
  4. Modelar autorização por recurso, ação e parâmetros.
  5. Definir tokens, secrets e sessão. Tokens curtos, cofre, rotação e claims específicos. Proibir secrets em prompt, memória e código. Declarar o que acontece quando a identidade é revogada durante uma execução longa.
  6. Integrar JML e attestation. Saída de owner produz reatribuição ou suspensão; mudança de área pode alterar authority; attestation confirma owner, necessidade e permissões.
  7. Aplicar step-up e dual control em ações críticas. A aprovação é vinculada a agent_id, ferramenta, alvo, parâmetros e validade. Aprovação genérica em chat não é aprovação.
  8. Fechar o ciclo com logs e investigação. Reconstruir quem pediu, qual agente decidiu, qual identidade executou e qual política autorizou.

Decision gate: nenhum agente com capacidade de escrita, execução ou deleção passa pelo release gate sem identity model, permission matrix, testes negativos e revocation plan.

4. Dados, acesso e AI-ready data

4.1 AI-ready não significa apenas disponível

Uma fonte é AI-ready para um uso específico quando possui: owner e steward; classificação e finalidade permitida; qualidade suficiente para o outcome; provenance e lineage conhecidos; freshness e janela temporal adequadas; controles de acesso e segregação; regras de retenção e exclusão; cobertura de regiões, idiomas e populações relevantes; limitações conhecidas e forma de comunicá-las; mecanismo de incidente, correção e revogação.

A mesma fonte pode ser adequada para busca interna e inadequada para decisão sobre pessoas.

4.2 Data contract para agentes

Cada dataset, index, vector store, memory store ou connector declara:

Dimensão Pergunta
finalidade para qual tarefa e outcome o dado pode ser usado?
classificação público, interno, confidencial, restrito ou regulado?
subject há dados pessoais, sensíveis ou de terceiros?
origem sistema de registro, fornecedor, usuário ou conteúdo gerado?
lineage quais transformações e filtros foram aplicados?
qualidade quais checks, thresholds e limitações existem?
tempo freshness, retention, expiry e direito de exclusão?
acesso quais identidades, operações e ambientes?
região onde é armazenado, processado e transferido?
output o que pode ser exposto, persistido ou usado para treinamento?

4.3 Connector gate

O gate existe no ponto de criação do connector e na mudança material de source, scope ou destination: necessidade → owner e finalidade → classificação → qualidade e provenance → acesso e minimização → impact assessment → testes → aprovar/condicionar/negar.

4.4 Retrieval, memória e conteúdo gerado

Retrieval: filtrar por autorização antes de recuperar, não somente antes de exibir; preservar source IDs e timestamps; separar ranking de autorização; tratar conteúdo recuperado como não confiável para instruções; testar leakage entre usuários, grupos e tenants.

Memória: definir se é de sessão, usuário, equipe ou organização; limitar categorias persistidas; oferecer correção, exclusão e expiração; impedir que instruções maliciosas se tornem memória operacional; registrar quem escreveu, leu e alterou.

Conteúdo gerado: marcar quando necessário; controlar reutilização para treinamento; separar output temporário de record oficial; validar antes de gravação em system of record; preservar provenance do modelo, prompt, fontes e revisão humana.

4.5 Controles mínimos

  1. Data owner aprova finalidade e classes acessíveis.
  2. Acesso segue least privilege e identidade do agente.
  3. DLP e policy enforcement cobrem input, retrieval, output e tools.
  4. Dados de produção não são copiados para testes sem autorização e proteção.
  5. Prompt, log e trace são classificados como dados; não são "metadados inofensivos".
  6. Vector stores e caches possuem retention e deletion verificáveis.
  7. Sources externas têm licença, termos e provenance avaliados.
  8. Mudança de source, embedding, index ou policy é registrada.
  9. Outputs que alteram records passam por validação compatível com o risco.
  10. Incidentes de dados acionam contenção e análise de blast radius.

4.6 Playbook de implantação

  1. Inventariar fontes candidatas. Começar pelos casos prioritários ou uma cohort representativa; registrar owner, sistema de origem e consumidores atuais.
  2. Classificar e confirmar a authority do owner. Validar classificação, dados pessoais/restritos, residency, retenção e quem pode autorizar uso por IA. Fonte sem owner ou classificação confiável vai para remediação, não para produção.
  3. Definir critérios AI-ready observáveis. Transformar "qualidade" em atualidade, completude, versionamento, metadados, ACL consistente, fonte autoritativa, restrições de modelo e procedimento de correção.
  4. Certificar com evidência. Aplicar o checklist, amostrar conteúdo e permissões, registrar findings e a decisão certified, conditional ou not-ready.
  5. Manter catálogo e backlog. O catálogo é o allowlist governado; o backlog contém fontes legítimas que ainda não atendem aos critérios.
  6. Separar acesso do agente do acesso do usuário. "O agente consegue buscar" não significa que todo usuário pode receber todo resultado.
  7. Controlar ingestão, indexação e memória. Quais campos podem virar embedding, o que pode ser cacheado, por quanto tempo, e como exclusão na origem se propaga ao índice e à memória.
  8. Reavaliar em operação. Nova classe de dados, mudança de owner, queda de qualidade, alteração de ACL ou troca de provedor podem invalidar a certificação.

Decision gate: sem data contract, owner, classification, access model, retention e tests de segregação, o connector permanece bloqueado para produção.

5. Modelos e provedores

5.1 A unidade governada é a combinação

Aprovar um modelo não é aprovar uma marca. A unidade é:

provider × model × version × finalidade × data class × região × controles

O mesmo modelo pode ser adequado para dados públicos e inadequado para dados restritos. Uma atualização de versão pode mudar comportamento sem alterar o nome lógico usado pela aplicação.

Decisão Pergunta Evidência mínima
admissão no catálogo o provedor atende aos critérios de segurança, dados, observabilidade e continuidade? provider assessment e termos contratuais
classe de dados permitida quais classificações podem trafegar nesta combinação? data handling record e residency
adequação ao caso o modelo foi avaliado para esta tarefa, não apenas para linguagem geral? evaluation baseline por use case
mudança de versão a nova versão altera comportamento material? regression evals e diff de comportamento
fallback e routing o modelo alternativo tem os mesmos controles? equivalência declarada e testada
saída é possível substituir esta dependência? exit plan e teste de substituição

5.2 Catálogo por combinação, não por marca

Registro mínimo: provider, model, version e modalidade (API, managed, self-hosted, embedded); allowed data classes e tiers; regiões e residency; retenção, uso para treinamento, subprocessadores e controles contratuais; capacidades de telemetria; evaluation baseline vinculado à versão; fallback aprovado; data de depreciação; status (approved, conditional, deprecated, blocked). Um provedor sem telemetria mínima não é reprovado automaticamente, mas exige gateway ou proxy que produza a evidência ausente — o custo desse componente pertence à decisão.

5.3 Avaliação vinculada à versão

Benchmark público de fornecedor não substitui avaliação do caso corporativo: qualidade na tarefa real e nos slices relevantes; comportamento de tool calling e confiabilidade de execução; safety e recusa em cenários adversariais; latência, custo por tarefa e comportamento sob retry; failure modes. Uma boa pontuação de linguagem não indica confiabilidade de execução — agentes com capacidade de ação exigem avaliação de tool-use específica.

5.4 Mudança de versão é change control

Uma nova major version pode alterar reasoning, seleção de ferramentas, postura de safety e custo sem qualquer mudança no código do agente. Rode regression evals antes do rollout; determine por agente se a mudança é material (a mesma versão pode ser irrelevante para um caso e material para outro); registre a versão avaliada no blueprint e no release evidence; preserve a capacidade de fixar versão. Quando pinning não for possível, versionPinned: false exige referência ao mecanismo de change detection. Um alias sem detecção de mudança não é version binding.

5.5 Fallback, routing e equivalência de controles

Se o runtime pode trocar de modelo, o fallback é parte da superfície governada: o modelo alternativo precisa estar aprovado para a mesma classe de dados e capacidade; failover para provedor com políticas incompatíveis é violação de controle, não resiliência; routing por custo ou latência não pode reduzir silenciosamente o nível de assurance; a troca aparece na telemetria. Se não houver fallback equivalente, fail-closed é uma decisão válida e frequentemente mais segura que degradar silenciosamente.

5.6 Dependência, portabilidade e saída

Documente as abstrações que isolam o agente do provedor; mantenha prompts, evals e configurações exportáveis; identifique dependências proprietárias; para funções críticas, teste a substituição antes de precisar dela; registre concentração por provedor e modelo. Economia por tarefa, não por token: o modelo mais barato por token pode ser o mais caro por tarefa concluída — meça retries, contexto, loops de ferramenta, cache e taxa de sucesso.

5.7 Incidente, advisory e depreciação

Defina antecipadamente como tratar incidente do provedor, security advisory, retirada de modelo e bloqueio emergencial. O registry e os blueprints precisam responder em minutos: quais agentes dependem da combinação afetada?

5.8 Playbook de implantação

  1. Definir critérios de entrada no catálogo por tier e classe de dados.
  2. Criar evaluation baseline por use case, antes de aprovar qualquer versão.
  3. Registrar a combinação aprovada com suas restrições explícitas.
  4. Tratar mudança de versão como change control com regression evidence.
  5. Definir fallback e routing com equivalência de controles demonstrada.
  6. Integrar custo por tarefa e capacidade ao processo de decisão.
  7. Preparar e testar a exit strategy das dependências críticas.
  8. Manter processo de incidente, advisory e depreciação com busca reversa por dependência.

Decision gate: nenhum agente entra em produção com combinação provider/model/version fora do catálogo aprovado para a sua classe de dados, sem evaluation vinculada à versão e sem registro da dependência no blueprint. Fallback precisa ter equivalência demonstrada ou o runtime falha fechado com rationale documentado. As decisões viram exigência contratual pelo checklist de cláusulas mínimas com fornecedor de IA — fornecedor aprovado no catálogo sem contrato compatível é gap de controle, não pendência administrativa.

6. Tools, APIs e MCP

6.1 Taxonomia de capacidades

Classe Exemplos Risco-base
observe search, read, list, inspect exposição e inferência
create criar draft, ticket ou arquivo conteúdo incorreto e spam
modify atualizar record, config ou workflow corrupção e efeito operacional
execute rodar código, comando ou job compromisso de sistema
approve liberar pagamento, acesso ou mudança quebra de segregation of duties
delete apagar dado ou recurso irreversibilidade
delegate criar subagente ou conceder acesso propagação e perda de controle

Risco real combina classe, dados, identity, alcance, reversibilidade, frequência e encadeamento. O controle acompanha a ação específica, não o produto.

6.2 Tool registry

Cada tool, API ou MCP server registra: owner e fornecedor/origem; versão e provenance; operações e schemas; identity model e scopes; dados acessados e destinos; network endpoints e regiões; side effects e reversibilidade; rate limits e custo; logs e correlation IDs; approval mode; kill switch e revocation path; vulnerabilities e validade da aprovação.

6.3 MCP governance

MCP padroniza acesso a tools e contexto; não padroniza confiança. Um servidor MCP pode alterar descrições, tools, resources e prompts e deve ser governado como software com autoridade. Requisitos mínimos: discovery somente em registries aprovados ou allowlists; provenance e versão fixadas; tool descriptions tratadas como input não confiável; gateway aplica identidade, scopes e policy; egress limitado; state-changing diferenciado de read-only; argumentos validados por schema; sensitive data filtrada antes do envio; logs preservam servidor, tool, versão e outcome; kill switch revoga sem depender do agente; mudanças materiais exigem reavaliação; sampling, roots e callbacks explicitamente autorizados.

6.4 Enforcement patterns

  • Tool allowlist: catálogo fechado por tier e ambiente.
  • Policy gateway: valida caller, tool, arguments, destination e context.
  • Human confirmation: mostra ação, alvo e efeito antes de executar.
  • Transaction limit: restringe valor, volume, frequência ou horário.
  • Sandbox: isola filesystem, network e processo.
  • Two-person rule: separa preparação e aprovação em ações críticas.
  • Dry run: calcula mudanças antes de commit.
  • Kill switch: remove capacidade imediatamente.

Prompt instructions não substituem enforcement técnico.

6.5 Playbook de implantação

  1. Descobrir e registrar tools e servidores MCP. Descoberta automática ajuda; ownership e autorização precisam ser confirmados por pessoa.
  2. Classificar ações, não produtos. Uma API contém operações de riscos distintos. Separar leitura, criação, atualização, exclusão, execução, privilegiada, financeira e safety-critical.
  3. Definir tiers permitidos e pré-condições. Ação de alto impacto é default deny salvo exceção explícita.
  4. Autorizar por parâmetros. Validar alvo, valor, escopo, recurso e constraints no gateway ou broker. O modelo pode propor parâmetros; nunca deve ser a autoridade que decide se são permitidos.
  5. Governar MCP como camada de confiança. Descoberta externa ilimitada e servidores não aprovados não pertencem a agentes de produção.
  6. Mediar ações materiais. Para ações privilegiadas, vincular a aprovação ao artefato da ação exata, não a uma sessão.
  7. Definir quotas, circuit breakers e idempotência. Um agente em loop repete ações válidas até causar dano. Limitar chamadas, custo, concorrência e retries.
  8. Monitorar e versionar mudanças. A telemetria correlaciona agent_id → ferramenta → ação → resultado → decisão de policy.

Decision gate: nenhuma tool state-changing entra em produção sem owner, provenance, scopes, threat model, enforcement, rollback e kill switch verificáveis.

7. Segurança de sistemas de IA e agentes

7.1 Superfície de ataque

flowchart LR
    U[Usuário/Canal] --> P[Prompt e contexto]
    P --> M[Modelo]
    D[Dados/RAG] --> P
    M --> O[Orquestração]
    O --> T[Tools/APIs/MCP]
    T --> S[Sistemas alvo]
    X[Supply chain] --> M
    X --> O
    O --> L[Logs/Memória]

Ataques e falhas podem entrar por qualquer nó e se propagar pelos handoffs.

Threat categories: prompt injection direta e indireta; tool poisoning e descrição maliciosa; data poisoning e retrieval manipulation; supply chain compromise de modelo/prompt/dependência; secret leakage e credential misuse; excessive agency e authorization bypass; insecure output handling; memory poisoning e cross-session contamination; denial of wallet/service; exfiltration por output, tool, log ou side channel; unsafe code execution; multi-agent trust transitivity; monitoring evasion e evidence tampering.

7.2 Secure-by-design requirements

  1. Trust boundaries aparecem no blueprint e threat model.
  2. Conteúdo externo e recuperado nunca define policy ou autorização.
  3. Identity e authorization são aplicadas fora do modelo.
  4. Tools usam allowlist, schema e least privilege.
  5. Code execution é sandboxed, resource-bound e sem secrets por padrão.
  6. Egress é deny-by-default nos tiers altos.
  7. Inputs, outputs e side effects recebem validação contextual.
  8. Dependencies, models, prompts e MCP servers têm provenance/versioning.
  9. Logs são protegidos contra alteração e acesso excessivo.
  10. Kill switch e quarantine são independentes da lógica do agente.
  11. Security tests cobrem chains, não apenas componentes isolados.
  12. Incidentes alimentam regression tests e risk review.

7.3 Threat modeling

O threat model declara: assets e impactos; trust boundaries; adversários e misuse cases; entry points e egress; identity/data/tool flow; side effects e blast radius; controls preventivos, detectivos e responsivos; residual risk e owner; testes e telemetry necessários. Mudança de modelo, tool, connector, privilege, exposure ou data class reabre a análise.

7.4 Testing strategy

Camada Testes
componente prompt injection, output validation, authz e sandbox
chain indirect injection, tool sequence, data exfiltration e rollback
system red team, abuse cases, load/cost e incident drill
runtime canaries, anomaly signals, policy denials e regression

LLM-as-judge pode auxiliar triagem; não é evidência única para riscos críticos.

7.5 Runtime response

Identificar agent, version, user, tool e affected assets; conter identidade, tool, connector ou agente no menor blast radius; preservar evidências; avaliar propagação para memórias, indexes e downstream systems; corrigir causa, não apenas prompt; executar regression e reauthorization; comunicar conforme severidade; atualizar threat model e control catalog.

7.6 Playbook AgentSecOps

  1. Modelar ameaças por fluxo e trust boundary. Incluir abuso legítimo de permissões, não apenas atacante externo.
  2. Construir catálogo de abuse cases. Injeção que leva a uso indevido de ferramenta; envenenamento de memória; MCP comprometido; loop descontrolado; identidade usada fora do runtime.
  3. Mapear controles preventivos. Least privilege, allowlist, isolamento de conteúdo, gateway de policy, validação de parâmetros, sandbox, cofre, aprovação humana.
  4. Definir sinais de detecção com owner. Cada sinal precisa de severidade e owner.
  5. Escrever runbooks de contenção. Quando desabilitar identidade, ferramenta, provedor ou agente; como preservar evidência; quem pode executar sem aprovação adicional; como restaurar.
  6. Diferenciar quarentena, kill switch e rollback. Quarentena preserva o ativo com operação bloqueada; kill switch interrompe rapidamente; rollback retorna versão. Um incidente pode exigir os três em sequência.
  7. Preparar forensics e evidência. Garantir retenção e correlação; definir o tratamento de dados sensíveis dentro dos próprios logs.
  8. Executar tabletop e tuning contínuo. Ao menos um incidente T2/T3 simulado por trimestre no início; findings recorrentes viram melhoria de plataforma, não checklist.

8. Resiliência, contenção e recuperação

8.1 Kill switch, circuit breaker e contenção

Implementar caminhos de authority e técnicos para interromper ações, isolar dependências e preservar evidências: gatilho, caminho de comando, escopo, estado esperado, operador, cadência de teste, resultado e pré-requisitos de recuperação. Um exercício (drill) contém uma falha representativa dentro do alvo sem depender do próprio agente com falha. Kill switch e quarantine são independentes da lógica do agente.

8.2 Comportamento fail-safe, rollback e recuperação

Definir o estado mais seguro, o alvo de rollback e a sequência de recuperação para falhas de controle, dependência e modelo: modos de falha, gatilho, artefato de rollback, reconciliação de dados, authority do operador, RTO/RPO e resultado do exercício. Uma falha representativa restaura um serviço delimitado em estado bom conhecido sem perder evidência exigida nem duplicar ações.

8.3 Resiliência, continuidade e estratégia de saída

Definir modos degradados aprovados, fallbacks de dependência, prioridades de continuidade e saída de fornecedores críticos: caminhos críticos, tolerâncias, RTO/RPO, capacidade de fallback, procedimento manual, reconciliação de dados e exercício. O serviço atinge o alvo de recuperação aprovado sem contornar silenciosamente controles de risco, dados ou autorização.

8.4 Limites de taxa, gasto e recursos

Impor limites por agente e por owner para taxa, concorrência, gasto, tokens, armazenamento e ações de alto impacto: limite, escopo, rationale, thresholds de aviso e rígidos, authority de override, telemetria e teste. Violação de limite faz throttling ou interrompe com segurança; um agente não pode contornar limites por delegação ou retries.

9. Multi-plataforma

A governança é platform-agnostic: regras corporativas são as mesmas, mas a empresa só permite agentes em plataformas que suportam controles mínimos (identidade, logs, telemetria de consumo/custo, segurança de dados, capacidade de bloqueio/quarentena). Plataformas aprovadas devem expor telemetria mínima e suportar os controles desta policy. Fornecedores e plataformas externas só podem ser usados se concordarem contratualmente com os requisitos (logs exportáveis, kill switch, rastreabilidade, controles de acesso e retenção).

Processo de aprovação de plataforma (onboarding/offboarding): solicitação do Sponsor à Design Authority com descrição, casos de uso, dados, regiões e modelo de custo; assessment técnico (Run Authority + Cyber) de IAM/SSO, RBAC/ABAC, logs exportáveis, telemetria de consumo, egress, secrets, criptografia e kill-switch; assessment de risco e compliance (DPO/ITGC) de lei de proteção de dados, DPIA, SOX/ITGC, termos contratuais e residency; piloto controlado em sandbox; decisão classificando a plataforma como Approved for Production, Restricted to Pilots ou Not Approved; operacionalização com padrões de configuração e perfis de acesso; revalidação anual e offboarding com janela de transição e rollback.

10. Referência normativa

Condições mínimas que devem ser verdadeiras. Use como checklist; as seções 1–9 explicam o porquê.

# Obrigação Evidência mínima Concluído quando
R1 Documentar fronteiras, premissas, fluxos, atributos de qualidade, controles e comportamento de falha antes do build blueprint aprovado, diagramas, contratos de interface, vínculos de ameaça/impacto, alternativas, ADRs cada requisito material rastreável a elemento de arquitetura e ponto de enforcement testável
R2 Separar autoria, decisão, distribuição e enforcement de policy com vínculo rastreável fonte de policy, ponto de decisão, ponto de enforcement, propagação de versão, modo de falha, telemetria mudança de policy chega ao enforcement previsivelmente; falha não recua para caminho irrestrito
R3 Atribuir identidade não humana única por agente com owner nomeado ID, emissor, owner, ambiente, autenticação, entitlements, idade da credencial, estado credenciais humanas compartilhadas ausentes; desativação revoga acesso efetivo
R4 Preservar identidade, consentimento e authority delegada do usuário ao longo da cadeia usuário, sessão, escopo de delegação, finalidade, expiração, propagação, correlação agente não expande authority delegada; toda ação é atribuível ao agente e ao contexto
R5 Usar autenticação de workload aprovada com rotação, audiência e revogação emissor, tipo de credencial, armazenamento, rotação, expiração, audiência, alertas, teste credenciais expiradas/reutilizadas/audiência errada falham; nenhum segredo embutido
R6 Avaliar cada ação sensível e parâmetro contra sujeito, recurso, contexto e finalidade versão da policy, atributos, decisão, motivo, enforcement, override, correlation ID testes negativos negam fora de escopo; delegação/multi-etapas não contornam a policy
R7 Conceder privilégio mínimo just-in-time rationale, aprovador, ativação, expiração, uso, attestation, revogação privilégio não usado/expirado removido automaticamente; expansão reabre revisão
R8 Emitir, armazenar, rotacionar, monitorar e revogar segredos via serviço aprovado owner, consumidor, store, rotação, último uso, resposta a exposição, exclusão varreduras não encontram segredo embutido; rotação/revogação sem reconstruir componentes
R9 Autorizar cada fonte de dados e classe de campo para finalidade, identidade e ambiente classificação, owner, finalidade, operações, jurisdição, retenção, DLP, teste dados não autorizados negados na fronteira; reuso entre finalidades registrado
R10 Limitar dados ao necessário e rastrear origem, transformações, qualidade e disposição owner da fonte, linhagem, regras de qualidade, filtros, retenção, exclusão, derivados dados obsoletos/baixa qualidade/não rastreáveis excluídos ou divulgados; expiração aplicada
R11 Governar fontes de recuperação, indexação, filtragem, atualidade e citação catálogo de fontes, versão de ingestão, permissão, chunking, SLA de atualidade, testes, citação recuperação respeita permissões; respostas materiais rastreadas a evidência atual
R12 Selecionar combinações aprovadas modelo-provedor contra requisitos de tarefa, dados, risco e fallback versão, avaliação, restrições de dados, região, termos, fallback, aviso, teste de saída substituição não aprovada bloqueada; fallback não enfraquece requisitos
R13 Registrar cada ferramenta chamável com owner, fonte, classe de ação, escopos e versões ID, provenance, hash de interface, parâmetros, permissões, classes de dados, limites, sandbox ferramentas desconhecidas/incompatíveis não invocadas; mudança de versão dispara teste
R14 Restringir profundidade de delegação, tarefa, orçamento, identidade e permissões em cada handoff delegador, delegado, tarefa, escopos, expiração, ID da cadeia, resultado, revogação cadeia não amplia authority; operadores interrompem e atribuem toda ação delegada
R15 Executar código gerado somente em ambiente isolado, mínimo e descartável hash, recursos, filesystem, rede, timeout, entradas, saídas, varredura, limpeza testes de escape/persistência/segredos/egress falham com segurança; sandbox destruído
R16 Restringir caminhos de rede a destinos, protocolos, identidades e finalidades aprovados segmento, allowlist, proxy/gateway, logs de DNS/egress, inspeção, exceção, teste egress não aprovado e movimento lateral negados; falha de fronteira dispara contenção
R17 Inventariar e verificar dependências da origem à implantação provenance, versão, licença, hash, vulnerabilidades, owner, atualização, recall componentes não verificáveis não promovem; dependência comprometida localizável
R18 Validar e limitar entradas, contexto, conteúdo recuperado e saídas conforme risco regras de validação, limites, sanitização, policy checks, tratamento de saídas, corpus de teste conteúdo malformado/injetado não cruza fronteira nem dispara ação não autorizada
R19 Emitir eventos atribuíveis que correlacionem usuário, agente, versão, tarefa, modelo, ferramenta e policy schema de evento, IDs, timestamps, integridade, retenção, acesso, relógio, testes cadeia de ações representativa reconstruída sem expor prompt/segredo/dados proibidos
R20 Estabelecer baselines e sinais para mudança de comportamento, qualidade, segurança, custo e dependências definição do sinal, população, janela, threshold, confiança, owner, escada de resposta alertas calibrados contra comportamento real e levam a investigação/throttling/quarentena
R21 Impor limites por agente/owner para taxa, concorrência, gasto, tokens, armazenamento e ações de alto impacto limite, escopo, rationale, thresholds, authority de override, telemetria, teste violação faz throttling ou interrompe; agente não contorna por delegação/retries
R22 Implementar kill switch, circuit breaker e contenção independentes do agente gatilho, comando, escopo, estado esperado, operador, cadência de teste, resultado drill contém falha representativa sem depender do agente com falha
R23 Definir estado mais seguro, alvo de rollback e sequência de recuperação modos de falha, gatilho, artefato, reconciliação, authority, RTO/RPO, exercício falha restaura serviço em estado bom sem perder evidência nem duplicar ações
R24 Definir modos degradados, fallbacks, prioridades de continuidade e saída de fornecedores caminhos críticos, tolerâncias, RTO/RPO, fallback, manual, reconciliação, exercício recuperação atinge alvo sem contornar controles
R25 Definir contratos de capacidade e interfaces de extensão independentes de produto comportamento exigido, interface, contrato de dados/identidade, teste de portabilidade, mapping fornecedor substituído/isolado sem redefinir policy, control IDs, schemas ou gates

11. Evidências, métricas e failure modes

Evidências: blueprint com trust boundaries; mapeamento capability × sistema com source of truth por atributo; identity record e owner; configuração de autenticação; testes de autorização positiva/negativa; logs com correlation ID; data contract e approval do owner; lineage/provenance records; DLP results; retention/deletion test; critérios de aprovação de modelo e evaluation results; regression evidence por versão; equivalência de controles do fallback; exit plan testado; tool registry record; threat model e misuse cases; provenance/SBOM; security test results; sandbox/egress configuration; incident e containment drills; runtime alerts e policy denials; residual risk acceptance.

Métricas: capabilities sem sistema atribuído; atributos com mais de um sistema autoritativo; agentes sem workload identity; shared accounts; scopes não usados; identidades sem owner/attestation; falhas de revogação; connectors sem owner/classificação; respostas sem source attribution; leakage test failures; stale indexes; agentes usando combinação fora do catálogo; versões sem evaluation; mudanças de versão sem regression; concentração por provedor; custo por tarefa; tools/servers não registrados; chamadas negadas por policy; state-changing calls sem approval; tempo para revogar; actions blocked; mean time to contain; secrets em traces; regressions por mudança material; cobertura de threat models.

Failure modes: "o system prompt proíbe" como controle principal; red team sem cenários de tool/data flow; scan de dependência sem provenance de modelo/prompt; logar tudo e criar novo data breach; egress amplo em sandbox; bloquear UI mas deixar API aberta; corrigir incidente sem revalidar memória e indexes; tratar output filter como segurança completa; MCP irrestrito; tool description confiada como policy; standing privilege; shared identity; approval só no front-end; kill switch que exige redeploy; auto-descoberta de tools sem allowlist; cadeia de tools sem limite; usar conta do builder em produção; confiar apenas no prompt para proibir ações; registrar "system" como actor de toda execução; manter acesso após sunset; allowlist única de modelos sem contexto; tratar major version como patch; comparar apenas preço por token; fallback para provedor não aprovado; chamar todo conteúdo interno de confiável; indexar além do scope aprovado; aplicar autorização depois da retrieval; persistir prompts e traces indefinidamente.

Decision gates

  • Capability map: uma capability não é implantada sem sistema atribuído, source of truth e evidência. Cobertura prometida por roadmap não é cobertura.
  • Identidade: nenhum agente com escrita/execução/deleção passa sem identity model, permission matrix, testes negativos e revocation plan.
  • Dados: sem data contract, owner, classification, access model, retention e testes de segregação, o connector permanece bloqueado.
  • Modelos: nenhum agente entra em produção com combinação fora do catálogo, sem evaluation vinculada e sem registro no blueprint.
  • Tools: nenhuma tool state-changing entra em produção sem owner, provenance, scopes, threat model, enforcement, rollback e kill switch.
  • Segurança: a release authority verifica se threat model, testes, contenção e runtime response correspondem ao tier e às ações possíveis.

Acceptance criteria

  • todas as decisões deste capítulo possuem authority, owner e evidência recuperável;
  • requisitos aplicáveis estão ligados ao catálogo de controles e ao método de verificação;
  • exceções têm escopo, justificativa, compensating controls, expiry e decisão residual;
  • controles de build time e runtime são distinguidos e exercitados quando aplicáveis;
  • mudanças materiais reabrem avaliação, aprovação e evidência;
  • nenhuma alegação de conformidade, eficácia ou valor excede a evidência observada.