05 — Lifecycle de agentes¶
Visão geral¶
Um agente não é um entregável de projeto: é um ativo operacional que nasce, muda, opera, é revalidado e um dia precisa ser retirado. Governar o lifecycle significa garantir que, em todos esses momentos, o agente tenha estado conhecido, owner válido e evidência recuperável — e que nada disso dependa da memória de uma pessoa.
Sem lifecycle explícito, o estate acumula agentes publicados que mantêm permissões, identidades, conectores e custo depois de perder owner, finalidade ou evidência válida. O controle não é burocracia: é o que impede que um agente esquecido continue com acesso a sistemas críticos anos depois de deixar de ser usado.
Resultado esperado: qualquer agente em produção possui estado conhecido, owner válido, próxima attestation, regras de mudança material e um caminho testado para suspensão, quarentena e retirada.
Este capítulo responde a três perguntas em sequência: o que governar (conceitos), como um agente percorre o ciclo (fases), e quais obrigações normativas se aplicam (referência). Leia as seções 1 e 2 para entender; use a seção 3 como checklist de implementação e auditoria.
1. Conceitos essenciais¶
1.1 O objeto governado: ativo e versão são coisas diferentes¶
A unidade de governança precisa distinguir dois objetos que costumam ser confundidos:
| Unidade | O que é | O que carrega |
|---|---|---|
| agent asset | o ativo estável, com agent_id permanente |
identidade, ownership, histórico, finalidade |
| version/release | a versão publicada em um ambiente | configuração, evidências, approval, expiry |
Confundir as duas produz o erro mais comum do domínio: aprovar uma versão e tratar a aprovação como permanente para o ativo. A aprovação vale para a versão; o ativo precisa de revalidação contínua.
1.2 Três visões que coexistem sem ser sinônimas¶
- etapa da jornada orienta o trabalho humano: ideia, design, build, avaliação e operação;
- lifecycle stage registra a posição formal do ativo:
discovered,draft,under-review,approved,production,retirement-review,retiredouarchived; - operational state registra a consequência técnica atual:
not-deployed,enabled,suspended,quarantinedoudisabled.
Separar stage de operational state evita transformar quarentena em falso avanço de lifecycle. Um agente pode permanecer em stage production e mudar de enabled para quarantined sem perder o histórico de release.
1.3 Autonomia e supervisão humana (HITL)¶
A política de autonomia define como a empresa controla o quanto um agente pode decidir e executar sozinho. O princípio: o agente pode propor e executar tarefas dentro de limites definidos, mas ações de impacto relevante exigem aprovação humana explícita (Human-in-the-Loop) e evidência registrada. Ações irreversíveis de alto impacto não são permitidas sem HITL. Exceções temporárias exigem aprovação conforme a Matriz, com justificativa e plano de rollback.
Os níveis padronizam o que significa "autonomia" e reduzem ambiguidade na decisão. Independentemente do nível, qualquer red flag (dados pessoais/sensíveis, sistemas críticos, SOX/ITGC, alto blast radius) escala para o caminho de Produção e pode exigir controles adicionais:
| Nível | Descrição (capacidade do agente) | Aprovação mínima |
|---|---|---|
| L0 — Assistivo/Informativo | sem tool-use; consulta/geração de conteúdo; sem escrita em sistemas | segue Matriz conforme ambiente e nº de usuários |
| L1 — Semi-autônomo | tool-use em escopo limitado; ações reversíveis (ex.: abrir ticket, atualizar registro não crítico); HITL para ações com impacto relevante | Teste/PoC: mínimo Compliance + IT local; Produção: segue Matriz por nº de usuários |
| L2 — Delegado | pode acionar sistemas críticos, mas ações críticas exigem HITL e evidências (auditoria, SoD, rollback); requer hardening e validação de segurança | sempre coluna de Produção da Matriz + revisão de Cyber/ITGC |
| L3 — Autônomo restrito | execução autônoma de ações executivas; em geral não permitido para domínios SOX/ITGC e alto impacto; exceções apenas em domínios controlados com kill-switch e auditoria reforçada | somente via waiver e aprovação do Digital Council, independente do nº de usuários |
Mudanças de modelo ou de regras de decisão que afetem o comportamento autônomo do agente exigem nova validação de segurança, testes mínimos e reavaliação do nível de autonomia.
1.4 Conceitos de controle contínuo¶
| Conceito | Definição operacional |
|---|---|
| Mudança material | mudança que pode alterar risco, impacto ou comportamento e, por isso, reabre avaliação. O reassessment recomeça do ponto afetado, não do zero |
| Attestation | revalidação periódica de owner, necessidade, acesso e controles — não uma assinatura ritual |
| Dormancy threshold | gatilho de revisão por inatividade, não regra cega de exclusão |
| Joiner/Mover/Leaver (JML) | eventos de identidade aplicados aos owners: entrada, mudança de função e saída de pessoas |
2. O ciclo de vida em 8 fases¶
Cada fase descreve o que acontece, o que produz e qual é o gate para avançar. Gate não significa reunião: em tiers baixos, vários gates podem ser policy-driven. O que importa é que a condição de avanço seja objetiva, verificável e registrada.
| Fase | O que produz | Gate para avançar |
|---|---|---|
| F1. Ideia e intake | intake, hipótese de valor, decisão agent vs workflow determinístico |
problema e owner inicial claros |
| F2. Registro e classificação | agent_id, owners, ambiente, tier, admissibilidade, escaladores, red flags |
nenhum build compartilhado ou produção sem ID e owner; tier e admissibilidade válidos |
| F3. Design e build | blueprint, identidade, dados, tools, modelo, oversight, telemetria, configuração versionada | build reproduz o blueprint; secrets e permissões dentro da policy |
| F4. Testes e evidências | evals funcionais, abuse cases, testes de dados/tools, resiliência, rollback | findings bloqueadores fechados ou aceitos pela authority correta |
| F5. Revisão e aprovação | domain reviews acionadas, MPB, evidence pack, risk acceptance | Publication Gate approve ou condition registrado |
| F6. Publicação e operação | deploy, health checks, políticas e budget ativos, telemetria, incidentes, custo, valor | containment e rollback disponíveis antes da exposição; sinais podem acionar reassessment ou contenção |
| F7. Attestation e mudança | revalidação de owner, necessidade e acessos; classificação de mudanças | continuar, remediar, suspender ou reaprovar |
| F8. Contenção e retirada | suspensão, quarentena ou retirada com revogação de acessos e arquivamento | reativação exige causa, correção e regression evidence; retirada é irreversível sem novo ciclo completo |
2.1 F1 — Ideia e intake¶
O ciclo começa antes de existir qualquer agente. A organização captura o problema, o mecanismo proposto, o owner e a necessidade de decisão antes de iniciar o trabalho de design. O intake deve registrar finalidade, baseline, usuários, pessoas afetadas, dados, ações, alternativas e urgência.
Decisão de adequação. Todo pedido de agente deve ser comparado com automação determinística, workflow, busca, analytics e alternativas não técnicas. Um agente prossegue somente quando sua capacidade distintiva é necessária — interpretação de linguagem, planejamento, seleção dinâmica de ferramentas — e o ônus adicional de governança é aceito. A decisão e as alternativas são registradas.
Armadilha comum: começar pelo "qual modelo?" em vez do problema. Intake que induz solução antes da necessidade produz agentes sem justificativa e portfólio inflado.
2.2 F2 — Registro e classificação¶
Todo agente ganha identidade estável no registry antes de o trabalho ou a operação alcançar o estado correspondente — e permanece descobrível por stakeholders autorizados enquanto existir. O registro carrega owner, finalidade, tier, versão, ambiente, dependências, aprovação e metadados de descobribilidade; metadados obrigatórios ausentes bloqueiam a transição.
A classificação usa critérios aprovados, escaladores obrigatórios e o resultado mais severo aplicável. Registram-se resultados por critério, red flags, rationale, confiança, revisor e a rota resultante. A mesma evidência deve produzir o mesmo encaminhamento; sub-classificação é detectada por revisão ou reconciliação.
Armadilha comum: permitir build ou uso compartilhado sem registro. Sem
agent_ide owner, o agente é invisível para governança e vira shadow agent.
2.3 F3 — Design e build¶
O design documenta, antes do build: fronteiras, premissas de confiança, fluxos de dados e ações, atributos de qualidade, controles e comportamento de falha. O blueprint aprovado, diagramas, contratos de interface, vínculos de ameaça e impacto, alternativas e ADRs são retidos — revisores conseguem rastrear cada requisito material a um elemento de arquitetura e a um ponto de enforcement testável. (Ver 06 — Arquitetura e controles técnicos para os detalhes de identidade, dados, tools, modelo e runtime.)
O build produz ou adquire somente componentes e configuração aprovados sob controle de mudança rastreável: fonte, versão, licença, fornecedor, configuração de build, inventário de dependências, varreduras e condições de aprovação. O artefato resultante é reproduzível ou atestável, e nenhuma dependência não aprovada entra na promoção.
Ambientes de desenvolvimento, teste e produção são separados em identidades, dados, credenciais, redes e autoridade de implantação. Acesso de teste não pode mutar produção, e segredos ou dados pessoais de produção não são copiados para ambientes inferiores sem authority.
Armadilha comum: tratar o LLM como mecanismo de autorização. A aprovação de ações críticas é validada fora do modelo — no blueprint, no broker de tools e no processo humano.
2.4 F4 — Testes e evidências¶
O planejamento de testes aprova antes de ver resultados: objetivos, datasets, fatias, casos de abuso, thresholds e independência do revisor. O plano vincula caso de uso, tier, versões, ambientes, métodos, critérios de aceite e owner da evidência — e não pode ser afrouxado após um resultado reprovado sem decisão de mudança registrada.
A coleta de evidências mantém identidade, fonte, tempo, versão, integridade e custódia estáveis. O manifesto de evidências lista artefatos, hashes, produtor, ambiente, método, resultado, limitação e decisão vinculada. Um revisor consegue recuperar e reproduzir a alegação material; evidência ausente é representada como lacuna, não como sucesso.
Armadilha comum: criar documentação na véspera da auditoria. Evidência é produto do processo — gerada durante build, teste e review —, não um artefato retrospectivo.
2.5 F5 — Revisão e aprovação¶
O release é decidido somente a partir do pacote vinculado de evidências de risco, avaliação, controle e operação. A decisão registra authority, versões, critérios aprovados e reprovados, condições, expiração, alvo de rollback e descobertas não resolvidas. Controles bloqueantes não podem ser dispensados por aprovação condicional, e condições expiradas interrompem a operação continuada.
O Publication Gate não refaz os reviews: verifica que as evidências requeridas pelo tier existem e que o residual risk foi aceito pela autoridade correta.
Armadilha comum: aprovação como reunião ritual para todo tier. Em T0/T1, o gate deve ser policy-driven; o humano entra onde o risco justifica.
2.6 F6 — Publicação e operação¶
A implantação libera por coortes ou estágios delimitados com critérios explícitos de promoção, pausa e rollback: coorte, exposição, telemetria, thresholds, aprovação, resultado observado, incidentes e decisão do próximo estágio. A expansão ocorre somente após o estágio anterior atingir os critérios, e um sinal adverso pode interromper ou reverter o rollout.
Em produção, o comportamento e os resultados de controle que podem invalidar a aprovação são monitorados continuamente: sinais, baselines, fatias, thresholds, owner, rota de alerta, investigação e ação de lifecycle vinculada. Desvio material ou violação de threshold produz contenção ou reavaliação — não um alerta informativo sem owner. (Ver 09 — Operações, incidentes e continuidade para monitoramento e resposta.)
Os dados de observabilidade alimentam os processos de Operação, Gestão de Incidentes, Gestão de Mudanças e Revisão Periódica — incluindo decisões de sunset quando há desvios persistentes, inatividade ou risco elevado.
2.7 F7 — Attestation, mudança e versionamento¶
Attestation. Owners reatestam finalidade, ownership, dependências, risco, controles e necessidade contínua em ciclo baseado no risco. A cadência é proporcional ao tier (no máximo anual); o owner confirma que o agente continua necessário, que os acessos continuam adequados e que a finalidade não mudou. Attestation vencida é um estado, não um aviso: aciona grace period e depois suspensão. Não resposta ou attestation sem suporte dispara restrição, suspensão ou aposentadoria em vez de renovação automática. Attestation não substitui reassessment após mudança material.
Mudança material. A organização define, antes de automatizar qualquer reassessment, quais mudanças e eventos externos reabrem risco, aprovação, avaliação ou compatibilidade contratual. Cada trigger aponta para o ponto do processo que precisa ser reexecutado — o reassessment recomeça do ponto afetado, não do zero:
| Trigger | O que reabrir |
|---|---|
| passagem de leitura para escrita, ou classe de ação mais crítica | classificação, controls, testes de rollback |
| nova fonte de dados de classificação superior | data review, impact screen, controls de acesso |
| novo provider, modelo ou região com data handling diferente | governança de modelos, regression evals |
| aumento de autonomia, profundidade de cadeia ou delegação entre agentes | classificação, threat model, oversight |
| novo público externo ou ampliação relevante de alcance | classificação, transparência, impact assessment |
| mudança de owner ou de processo crítico | ownership, authority, attestation |
| alteração ou remoção de etapa de aprovação humana | oversight design, classificação |
| nova ferramenta com escrita ou privilégio | tool review, identidade, containment |
Automatizar um gatilho mal definido gera ruído e treina a organização a ignorá-lo. Ativos acionados não podem depender indefinidamente de aprovação anterior; a nova decisão é vinculada à versão alterada.
Versionamento. Toda mudança material é versionada e vinculada a datas de efetividade, revisão e supersessão: descrição da mudança, autor, aprovador, contratos impactados, ação de migração e referência à versão anterior. Consumidores identificam a versão aplicável; registros incompatíveis são migrados, rejeitados ou explicitamente grandfather.
JML de owners. A identidade do agente não permanece silenciosamente vinculada a alguém que mudou de função ou saiu: - Joiner: ao assumir, o novo owner tem role, competência e authority validadas antes da transferência de accountability. - Mover: mudança de área do owner dispara revisão de ownership, centro de custo e permissões; se a nova função não puder responder pelo agente, reatribua. - Leaver: antes do desligamento, consulte o registry por ownership, nomeie delegado temporário e suspenda os casos sem sucessor conforme o tier. - Em nenhum caso apague o histórico de ownership — a timeline é evidência de auditoria.
Dormancy. Threshold é gatilho de revisão, não regra cega de exclusão: um agente financeiro trimestral pode ficar 80 dias sem execução e continuar legítimo; um agente de service desk sem uso por 30 dias provavelmente foi abandonado. Valores iniciais a calibrar com evidência:
| Tier | Threshold inicial | Grace period |
|---|---|---|
| T1 | 120 dias | 30 dias |
| T2 | 90 dias | 21 dias |
| T3 | 60 dias | 14 dias |
| T4 | 30 dias | 7 dias, com revisão de admissibilidade e da exceção quando restricted |
Calibração: segmentar por frequência esperada e tier → definir threshold e grace → rodar 60–90 dias em report-only → analisar falsos positivos e sazonalidade → ajustar e só então automatizar a cadeia notificação → attestation → suspensão → retirada → manter exceções sazonais com data de expiração.
2.8 F8 — Contenção, reativação e retirada¶
Suspensão, quarentena e retirada são ações diferentes. Um único botão "disable" para os três casos destrói a rastreabilidade:
| Ação | Motivo | Evidência preservada | Reversível |
|---|---|---|---|
suspended |
administrativo ou planejado | configuração e histórico | sim, por decisão do owner |
quarantined |
risco ou incidente | evidência forense preservada deliberadamente | somente com causa, correção e regression evidence |
disabled em stage retired |
fim de vida | arquivada conforme retenção | não — exige novo ciclo completo |
Suspensão e quarentena exigem caminhos de authority e técnicos para interromper ações, isolar dependências e preservar evidências: gatilho, caminho de comando, escopo, estado esperado, operador, cadência de teste, resultado e pré-requisitos de recuperação. Um exercício (drill) deve conter uma falha representativa dentro do alvo sem depender do próprio agente com falha.
Ação corretiva. Cada descoberta recebe causa raiz, prioridade baseada em risco, ação corretiva e critério de fechamento: descoberta, evidência, owner, data de vencimento, controle provisório, remediação, reteste e disposição do revisor. O fechamento exige evidência objetiva de reteste; descobertas materiais vencidas permanecem visíveis e afetam a aprovação.
Reativação segura. Reativar exige causa raiz, remediação, regressão, monitoramento e prontidão de rollback evidenciados: vínculo do incidente, versão alterada, pacote de reteste, risco residual, authority aprovadora, condições e escopo do rollout. A falha anterior não pode mais ser reproduzível nas condições testadas, e sinais de alerta precoce estão ativos.
Revisão disparada por incidente. Após incidente, correção, mudança de dependência ou atualização de modelo/configuração, os requisitos afetados são retestados: versões anterior e nova, cenários impactados, conjunto de regressão, resultado, lacunas residuais e disposição de release. A mudança não invalida silenciosamente evidências anteriores; regressão reprovada impede reativação ou promoção.
Aposentadoria e descomissionamento. O agente é aposentado por transição de estado aprovada que remova authority e resolva obrigações de dados e dependências: decisão final do owner, aviso ao usuário, parada de tráfego, revogação de acesso, disposição de dados, arquivo, owner da dependência e evidência de conclusão. Depois de aposentado, o agente não pode mais agir ou consumir recursos; registros retidos permanecem acessíveis pelo período aprovado.
Retenção e limpeza. Define-se quem pode ler, alterar e recuperar o registro, por quanto tempo e sob qual regra de legal hold ou exclusão: classificação, grupos de acesso, custodiano, gatilho de retenção, período mínimo, disposição e caminho de recuperação de auditoria. Evidências autorizadas são recuperáveis no prazo exigido; dados expirados são descartados sem romper a linhagem exigida.
3. Referência normativa¶
Condições mínimas que devem ser verdadeiras em cada ponto do ciclo. Use como checklist de implementação e auditoria; as seções 1–2 explicam o porquê de cada item.
| # | Obrigação | Evidência mínima | Concluído quando |
|---|---|---|---|
| R1 | Definir estados permitidos, authorities de transição, critérios de entrada/saída e resultados terminais para todo agente | máquina de estados publicada com registros exigidos, gates G0–G7, exceções e reentrada disparada por evento | transições inválidas são rejeitadas e o estado observado em runtime reconcilia com o registry autoritativo |
| R2 | Capturar problema, mecanismo, owner e necessidade de decisão antes do design | registro de intake com finalidade, baseline, usuários, pessoas afetadas, dados, ações, alternativas e urgência | solicitação encaminhada às decisões de adequação, risco e portfólio sem ignorar ownership ou escopo |
| R3 | Comparar agente com alternativas determinísticas e não técnicas | alternativas, necessidade de autonomia, incerteza, benefício esperado, custo de falha e decisão arquitetural | agente prossegue somente com capacidade distintiva necessária e ônus de governança aceito |
| R4 | Criar/atualizar identidade estável no registry antes do estado correspondente (registro inicial e produção) | owner, finalidade, tier, versão, ambiente, dependências, aprovação e metadados de descobribilidade | ativo descobrível por stakeholders autorizados e metadados obrigatórios ausentes bloqueiam transição |
| R5 | Classificar com critérios aprovados, escaladores obrigatórios e resultado mais severo | resultados por critério, red flags, rationale, confiança, revisor e rota resultante | mesma evidência produz encaminhamento consistente e sub-classificação é detectada |
| R6 | Documentar fronteiras, premissas de confiança, fluxos, atributos de qualidade, controles e falha antes do build | blueprint aprovado, diagramas, contratos de interface, vínculos de ameaça/impacto, alternativas e ADRs | revisores rastreiam cada requisito material a elemento de arquitetura e enforcement testável |
| R7 | Produzir/adquirir somente componentes e configuração aprovados sob controle de mudança | fonte, versão, licença, fornecedor, configuração de build, inventário de dependências, varreduras e condições de aprovação | artefato reproduzível ou atestável e nenhuma dependência não aprovada entra na promoção |
| R8 | Separar ambientes de desenvolvimento, teste e produção | inventário de ambientes, policy de acesso, classificação de dados, caminho de promoção e teste negativo | acesso de teste não muta produção e segredos/dados pessoais não são copiados sem authority |
| R9 | Aprovar plano de testes antes de ver resultados | plano vinculando caso de uso, tier, versões, ambientes, métodos, critérios de aceite e owner da evidência | plano cobre modos de falha materiais e não é afrouxado após resultado reprovado sem decisão registrada |
| R10 | Coletar evidências com identidade, fonte, tempo, versão, integridade e custódia estáveis | manifesto com artefatos, hashes, produtor, ambiente, método, resultado, limitação e decisão vinculada | revisor recupera e reproduz a alegação material; ausência é lacuna, não sucesso |
| R11 | Decidir release a partir do pacote vinculado de evidências | decisão, authority, versões, critérios, condições, expiração, alvo de rollback e descobertas não resolvidas | controles bloqueantes não são dispensados por aprovação condicional e condições expiradas interrompem operação |
| R12 | Liberar por coortes com critérios explícitos de promoção, pausa e rollback | coorte, exposição, telemetria, thresholds, aprovação, resultado, incidentes e decisão do próximo estágio | expansão só após critérios do estágio anterior e sinal adverso pode interromper ou reverter |
| R13 | Monitorar comportamento e controles que podem invalidar a aprovação | sinais, baselines, fatias, thresholds, owner, rota de alerta, investigação e ação de lifecycle | desvio material produz contenção ou reavaliação, não alerta sem owner |
| R14 | Retestar requisitos afetados após incidente, correção ou mudança de dependência | versões anterior/nova, cenários impactados, regressão, resultado, lacunas e disposição de release | mudança não invalida evidências anteriores e regressão reprovada impede reativação |
| R15 | Definir mudanças materiais e eventos que reabrem risco | gatilho, fonte de detecção, ativos/evidências impactados, controle provisório, owner, vencimento e disposição | ativos acionados não dependem indefinidamente de aprovação anterior |
| R16 | Versionar toda mudança material com datas de efetividade, revisão e supersessão | descrição, autor, aprovador, contratos impactados, migração e referência à versão anterior | consumidores identificam versão aplicável e registros incompatíveis são migrados/rejeitados/grandfather |
| R17 | Exigir attestation periódica baseada em risco | atestante, corte de evidências, fatos alterados, exceções, dependências obsoletas, decisão e próxima revisão | não resposta ou attestation sem suporte dispara restrição, suspensão ou aposentadoria |
| R18 | Implementar suspensão e quarentena com authority e caminhos técnicos | gatilho, caminho de comando, escopo, estado esperado, operador, cadência de teste, resultado e pré-requisitos de recuperação | drill contém falha representativa sem depender do próprio agente |
| R19 | Atribuir causa raiz, prioridade, ação corretiva e critério de fechamento a cada descoberta | descoberta, evidência, owner, vencimento, controle provisório, causa raiz, remediação, reteste e disposição | fechamento exige evidência objetiva de reteste e descobertas vencidas permanecem visíveis |
| R20 | Permitir reativação somente com causa, remediação, regressão, monitoramento e rollback evidenciados | vínculo do incidente, versão alterada, pacote de reteste, risco residual, authority, condições e escopo | falha anterior não reproduzível nas condições testadas e alertas precoces ativos |
| R21 | Aposentar por transição aprovada que remova authority e resolva dados/dependências | decisão final do owner, aviso, parada de tráfego, revogação de acesso, disposição de dados, arquivo, owner da dependência, conclusão | agente não age nem consome recursos e registros retidos ficam acessíveis no período aprovado |
| R22 | Definir leitura/alteração/recuperação do registro, prazo e regra de legal hold | classificação, grupos de acesso, custodiano, gatilho de retenção, período mínimo, disposição e recuperação de auditoria | evidências autorizadas recuperáveis no prazo e dados expirados descartados sem romper linhagem |
Autonomia e HITL (norma): toda ação executiva relevante requer confirmação humana explícita no canal aprovado; ações irreversíveis de alto impacto não são permitidas sem HITL; exceções temporárias exigem aprovação conforme a Matriz, com justificativa e plano de rollback; mudanças de modelo ou regras de decisão exigem nova validação, testes mínimos e reavaliação do nível de autonomia. (Níveis L0–L3 na seção 1.3.)
Gates G0–G7: a sequência completa de gates de implantação é definida no capítulo 08 — Implementação e adoção; este capítulo define as condições de transição de cada estado.
4. Estado e transições (máquina de estados)¶
4.1 Stages e operational states¶
Stages mínimos: discovered · draft · under-review · approved · production · retirement-review · retired · archived
Operational states mínimos: not-deployed · enabled · suspended · quarantined · disabled
Regras estruturais:
- draft não vai diretamente a production;
- quarantined não retorna a enabled sem correção, reteste e aprovação;
- cada transição registra evento disparador, authority, evidência e ações automáticas;
- stage e operational state são versionados e o histórico é preservado — a auditoria precisa saber as duas condições no momento de um evento.
4.2 Matriz de transição¶
| Stage/state atual | Evento | Stage/state seguinte | Authority | Ações automáticas |
|---|---|---|---|---|
draft / not-deployed |
solicitação de publicação | under-review / not-deployed |
workflow | congelar blueprint; executar pre-screen |
under-review / not-deployed |
evidências e gates completos | approved / not-deployed |
authority de publicação do tier | emitir decision record com expiry |
approved / not-deployed |
deploy e health check OK | production / enabled |
plataforma | ativar policy de runtime, telemetria e budget |
production / enabled |
sinal crítico de segurança ou comportamento | production / quarantined |
Run Authority | desabilitar tools/identidade conforme runbook; preservar evidência |
production / enabled |
suspensão administrativa | production / suspended |
owner ou Run Authority | interromper novas execuções; preservar configuração |
production / qualquer |
dormancy threshold atingido | retirement-review / estado observado |
serviço de lifecycle | notificar owner; iniciar grace period |
production / qualquer |
mudança material declarada | under-review / not-deployed para a versão candidata |
Design Authority | manter release atual governada; reabrir apenas etapas afetadas |
retirement-review / qualquer |
owner confirma desuso | retired / disabled |
owner + plataforma | remover acessos e secrets; arquivar evidência |
retired / disabled |
retenção concluída | archived / disabled |
Records Authority | preservar somente evidência exigida |
5. Playbook de implantação¶
Para levar o lifecycle do zero à operação, na primeira implantação execute em ordem; em evoluções posteriores, mudanças materiais podem exigir apenas os passos afetados.
- Definir o objeto governado (
agent assetvsversion) e quem opera o lifecycle. - Desenhar estados a partir de consequências operacionais, não de atividades de projeto.
- Transformar cada transição em gate auditável com evento, authority, evidência, SLA e automação.
- Definir a lista de mudanças materiais antes de automatizar reassessment.
- Calibrar attestation e dormancy pelo padrão real de uso, em report-only primeiro.
- Integrar JML de owners ao registry, com consulta reversa por ownership.
- Implementar suspensão, quarentena e retirada como ações distintas.
- Validar manualmente antes de virar policy-as-code: uma cohort sugerida contém 10–20 agentes, ao menos um T3, um leaver, uma mudança material e um incidente simulado; isso é guidance adaptável, não piloto obrigatório.
6. Artefatos, evidências, métricas e failure modes¶
Artefatos - Agent Lifecycle Standard: estados, transições, triggers, roles, timers, JML, quarentena, retirada e retenção; - matriz de transição e runbook operacional; - registro de attestation e de mudanças materiais; - template de attestation e sunset; - plano de sunset.
Evidências - estado atual e histórico de transições por agente e versão; - approval record com authority, condições e expiry; - attestation records e vencimentos; - classificação de mudanças materiais e reassessments derivados; - evidência de contenção e de reativação; - registro de retirada com remoção de acessos e arquivamento.
Métricas - agentes em produção sem attestation válida; - agentes sem owner ou com owner desligado; - mudanças materiais detectadas por auditoria em vez de declaradas pelo owner; - tempo entre trigger e reassessment concluído; - agentes dormentes por tier e desfecho após grace period; - transições executadas fora da matriz autorizada; - tempo entre decisão de retirada e revogação efetiva de acesso; - reativações após quarentena sem regression evidence.
Failure modes - state machine documentada que não altera permissão, evidência ou comportamento real; - tratar aprovação de versão como aprovação permanente do ativo; - usar um único "disable" para suspensão, quarentena e retirada; - automatizar dormancy antes de calibrar sazonalidade; - reassessment que recomeça do zero e, por custo, deixa de ser executado; - retirada que remove o agente do catálogo mas não revoga identidade e secrets; - histórico de ownership sobrescrito em vez de versionado.
Decision gate¶
Nenhum agente permanece em produção sem lifecycle stage e operational state válidos, owner ativo, attestation dentro do prazo do tier e caminho de contenção e retirada exercitado. Toda transição preserva authority e evidence. Mudança material sem reassessment registrado é motivo de suspensão, não de exceção informal.
Acceptance criteria¶
- todas as decisões deste capítulo possuem authority, owner e evidência recuperável;
- requisitos aplicáveis estão ligados ao catálogo de controles e ao método de verificação;
- exceções têm escopo, justificativa, compensating controls, expiry e decisão residual;
- controles de build time e runtime são distinguidos e exercitados quando aplicáveis;
- mudanças materiais reabrem avaliação, aprovação e evidência;
- nenhuma alegação de conformidade, eficácia ou valor excede a evidência observada.