Checklist de exigências contratuais para provedores de modelo, plataforma de agentes, tool ou MCP server. Serve para compras e jurídico traduzirem em contrato o que a governança decidiu em model governance e tool governance.
Este template não é aconselhamento jurídico. Cada cláusula precisa ser redigida pelo jurídico da organização, conforme a jurisdição, o setor e o poder de negociação. O que está aqui é o conjunto de assuntos que não pode ficar de fora — a redação é da sua casa.
Como usar
- Classifique o fornecedor pela maior criticidade que ele vai suportar. Um fornecedor que atende T3 precisa das cláusulas de T3, mesmo que comece em T1.
- Marque cada cláusula como obrigatória, negociável ou não aplicável, com rationale.
- O que o fornecedor recusar vira risco declarado, com compensating control e authority — não some da conversa.
- Registre o resultado no catálogo de modelos e provedores ou no registro de tools, conforme o caso.
Identificação
- Fornecedor e produto:
- Papel no estate: modelo · plataforma · tool/MCP · integrador
- Maior tier que vai suportar:
T1 / T2 / T3 / T4
- Classes de dados envolvidas:
- Regiões de processamento e armazenamento:
- Owner do contrato / owner técnico:
- Data da avaliação:
Cláusulas por assunto
1. Uso de dados
| # |
Exigência |
Por que importa |
Mínimo por tier |
| 1.1 |
dados do cliente não são usados para treinar modelos do fornecedor ou de terceiros, nem para melhoria de serviço, sem consentimento específico e revogável |
é o item que mais frequentemente vem permissivo por default e o mais difícil de reverter depois |
T1+ |
| 1.2 |
subprocessadores nomeados, com aviso prévio e direito de objeção a novos |
sem isso o dado circula por cadeia desconhecida |
T2+ |
| 1.3 |
região de processamento e de armazenamento definidas contratualmente, incluindo failover |
região de contingência costuma ser o furo |
T2+ |
| 1.4 |
retenção máxima de prompts, outputs e logs, com exclusão verificável |
"retemos por período razoável" não é cláusula |
T2+ |
| 1.5 |
proibição de uso de dado do cliente para benchmark, marketing ou caso de estudo sem aprovação escrita |
aparece como cortesia comercial e vaza escopo |
T3+ |
2. Modelo, versão e mudança
| # |
Exigência |
Por que importa |
Mínimo por tier |
| 2.1 |
identificação de modelo e versão, com pinning disponível |
sem versão fixa, não existe avaliação válida |
T2+ |
| 2.2 |
aviso prévio mínimo de mudança de versão, depreciação ou alteração de comportamento, com janela declarada |
mudança silenciosa invalida evidência já aceita |
T2+ |
| 2.3 |
direito de permanecer na versão anterior durante a janela de reavaliação |
aviso sem direito de permanência é aviso inútil |
T3+ |
| 2.4 |
descrição das mudanças que afetam comportamento, não apenas o número da versão |
"melhorias de qualidade" não permite decidir se reavalia |
T3+ |
3. Auditoria e evidência
| # |
Exigência |
Por que importa |
Mínimo por tier |
| 3.1 |
relatórios de certificação vigentes e escopo declarado |
o escopo importa mais que o selo |
T1+ |
| 3.2 |
direito de auditoria — direta, por terceiro independente ou por relatório equivalente |
sem alguma forma, a asseguração é declaratória |
T3+ |
| 3.3 |
acesso a logs suficientes para investigar incidente do lado do cliente |
investigar sem log do fornecedor é reconstruir por dedução |
T2+ |
| 3.4 |
cooperação em investigação regulatória e prazo de resposta |
o prazo do regulador não espera o SLA comercial |
T3+ |
4. Segurança e incidentes
| # |
Exigência |
Por que importa |
Mínimo por tier |
| 4.1 |
notificação de incidente com prazo em horas, não "sem demora indevida" |
prazo vago é prazo do fornecedor |
T2+ |
| 4.2 |
notificação também de incidente em subprocessador |
a cadeia é onde o incidente costuma nascer |
T2+ |
| 4.3 |
isolamento de tenant e de dados declarado, com controles de segregação |
multi-tenant sem segregação declarada é risco não avaliado |
T3+ |
| 4.4 |
teste de segurança periódico e correção de vulnerabilidade com SLA por severidade |
sem SLA, a correção compete com o roadmap comercial |
T3+ |
5. Continuidade e saída
| # |
Exigência |
Por que importa |
Mínimo por tier |
| 5.1 |
portabilidade de configuração, prompts, avaliações e logs em formato utilizável |
exportar em PDF não é portabilidade |
T2+ |
| 5.2 |
prazo de transição assistida em caso de rescisão ou descontinuação |
o pior momento para migrar é o momento em que se é obrigado a migrar |
T3+ |
| 5.3 |
exclusão verificável dos dados ao término, com atestado |
"excluímos conforme política interna" não é verificável |
T2+ |
| 5.4 |
continuidade em caso de aquisição, mudança de controle ou fim de vida do produto |
a cláusula que ninguém lê até precisar |
T3+ |
| # |
Exigência |
Por que importa |
Mínimo por tier |
| 6.1 |
responsabilidade por violação de propriedade intelectual em output gerado |
é o item em que a alocação de risco varia mais entre fornecedores |
T2+ |
| 6.2 |
declaração de conformidade aplicável e compromisso de manutenção |
conformidade na assinatura não é conformidade na renovação |
T3+ |
| 6.3 |
limitação de responsabilidade proporcional ao dano possível, não ao valor do contrato |
contrato barato não significa dano barato |
T3+ |
| 6.4 |
direito de suspender o uso sem penalidade quando um control obrigatório deixa de ser satisfeito |
é o que torna a suspensão por condição violada executável |
T3+ |
Resultado da avaliação
| Cláusula |
Estado |
Rationale |
Compensating control |
Owner |
Revisão |
|
aceita / negociada / recusada / não aplicável |
|
|
|
|
Recusas materiais viram entrada no risk register com residual risk declarado e authority compatível com o tier — não observação em ata.
Antipatterns
- aceitar "conforme política do fornecedor" como cláusula, quando a política pode mudar unilateralmente;
- negociar apenas preço e SLA de disponibilidade, deixando uso de dados e mudança de versão no default;
- avaliar o fornecedor uma vez e nunca reabrir, mesmo após mudança de versão ou aquisição;
- tratar certificação como equivalente a auditoria, sem ler o escopo;
- aceitar prazo de notificação de incidente sem número.
Este template é o instrumento contratual de decisões tomadas em outro lugar. O critério de entrada de um modelo ou tool no catálogo está em model governance e tool governance; a exigência por tier está no Minimum Production Bar; e a saída do fornecedor pertence ao lifecycle.
Um fornecedor aprovado no catálogo e sem contrato compatível é gap de controle, não pendência administrativa.