Estate, registry, ownership e taxonomia¶
Objetivo¶
Criar a fonte corporativa de verdade sobre quais agentes existem, quem responde por cada um e o que cada um pode fazer — em linguagem comum, estável e independente da plataforma onde o agente foi construído.
Sem essa camada, todas as outras falham por falta de sujeito: não há como aplicar tier, evidência, contenção ou sunset a um ativo que a organização não sabe que existe.
Quatro objetos distintos¶
| Objeto | Pergunta que responde | Natureza |
|---|---|---|
| Registry | qual agente é este, quem responde, qual tier, admissibilidade, stage e operational state? | fonte corporativa de identificação e correlação |
| Blueprint | como esta versão deve ser configurada e controlada? | especificação versionada do desired state |
| Policy/gate | a configuração e as evidências atendem às regras? | decisão automática ou semiautomática |
| Runtime/telemetria | o agente está operando conforme aprovado? | estado observado |
Confundir registry com blueprint produz o antipattern mais comum: um inventário que cresce sem nunca virar controle.
Taxonomia corporativa¶
Taxonomia é a linguagem de classificação do estate: características relativamente estáveis que fazem registry, scoring, policies, dashboards e lifecycle usarem os mesmos termos.
Taxonomia não é risk tier. Dois agentes podem ser transactional e receber tiers diferentes por operarem sobre dados, privilégios ou processos distintos.
| Dimensão | Categorias sugeridas | Por que muda a governança |
|---|---|---|
| origem | citizen, partnered, professional, fornecedor/SaaS | define suporte, SDLC e responsabilidade técnica |
| ownership | pessoal, time, processo de negócio, corporativo | muda attestation, JML, continuidade e retirada |
| alcance | usuário único, time, unidade, corporativo, externo/público | muda blast radius e necessidade de assurance |
| função | informacional, redação, transacional, autônomo | separa conteúdo de efeito colateral |
| autonomia | assistiva, sugestão, execução limitada, planejamento autônomo | direciona oversight, limites e controles de runtime |
| identidade | delegada, própria (NHI), compartilhada (proibida) | define accountability e padrão de autorização |
| dados | público, interno, confidencial, restrito/regulado | aciona controles de dados, privacidade e residency |
| tools | nenhuma, leitura, escrita, execução, privilegiada | direciona mediação, rollback e aprovação humana |
| runtime | SaaS, nuvem, on-premises, edge, híbrido | muda pontos de enforcement e ownership operacional |
| topologia | agente único, multiagente, delegação entre agentes | adiciona trust chain e requisitos de correlação |
| lifecycle | efêmero, do usuário, do time, corporativo | muda retenção, dormancy e sucessão |
Evite taxonomia baseada em produto ("agente da plataforma X"). O produto informa onde o agente foi construído, não o que ele pode fazer — e a taxonomia precisa sobreviver à troca de builder.
Como implementar¶
- Colete amostra representativa incluindo citizen-built, SaaS, custom e ao menos um caso com execução de ferramentas.
- Escolha apenas dimensões que alteram decisão, controle, métrica ou lifecycle. Categoria que não muda nada não deve ser obrigatória.
- Defina códigos canônicos e descrições inequívocas — "autônomo" precisa de critério operacional, não percepção do builder.
- Crie regras de normalização por plataforma, mapeando termos nativos para as categorias corporativas.
- Defina o que é obrigatório por tier e o que pode ser autodescoberto. O fast path de T1 deve minimizar input manual.
- Classifique 20–30 casos e meça concordância entre avaliadores. Divergência sistemática indica definição fraca, não avaliador fraco.
- Implemente a taxonomia no registry, no pre-screen, nos dashboards e no blueprint. Taxonomia que vive só em documento não gera governança.
Registry: capacidades mínimas¶
O registry não precisa armazenar tudo — pode referenciar sources of truth existentes. O requisito é responder de forma consistente: qual agente é este, quem responde, qual tier e admissibilidade, qual lifecycle stage e operational state, quais identidades, tools, dados e modelos usa, e quando foi visto pela última vez.
| Grupo | Campos | Source of truth preferido |
|---|---|---|
| identidade do ativo | agent_id imutável, nome, versão, plataforma, ambiente |
registry/plataforma |
| ownership | business owner, technical owner, delegado, time/centro de custo | diretório organizacional + registry |
| governança | tier, admissibilidade, score, escaladores, decision/exception refs | sistema de risco |
| dependências | IDs de fontes de dados, tools, servidores MCP, modelos | catálogos + blueprint |
| runtime | ID de identidade, endpoint, perfil de telemetria, last_seen, budget |
IAM/plataforma/observabilidade |
| lifecycle | stage, operational state, transition history, próxima attestation, dormancy, retirada | serviço de lifecycle |
| valor | ID do caso de uso, KPI, status no portfólio, valor observado | portfólio |
Obrigatoriedade por tier¶
| Campo | T1 | T2 | T3 | T4 |
|---|---|---|---|---|
| owner | obrigatório | dual (business + technical) | dual + delegado | sponsor executivo + owners accountable |
| tier e admissibilidade | ambos obrigatórios | ambos obrigatórios | ambos + reassessment | ambos + authority compatível; exceção somente se restricted |
| dados e tools | lista | lista + classificação | lista + constraints + evidência | constraints e lineage críticos completos |
| identidade | definida | identidade própria | identidade própria + policy reforçada | identidade dedicada, isolamento e dual control onde aplicável |
| observabilidade | padrão | completa | completa + baseline de comportamento | monitoramento e containment reforçados |
| attestation | periódica | periódica | frequente ou orientada a evento | orientada a evento e executive review |
O fast path de T1 existe para reduzir input manual em alto volume, não para dispensar registro: descoberta, owner, logging e fontes aprovadas continuam obrigatórios.
Regras de qualidade que geram finding¶
O registry só é controle quando detecta continuamente que deixou de representar a realidade. O objetivo não é ter uma lista perfeita.
- owner inexistente ou inativo;
- tier ausente ou expirado após mudança material;
last_seenincompatível com o estado de lifecycle;- ferramenta ou fonte de dados referenciada que não existe no catálogo;
- agente em produção sem perfil de telemetria ou sem kill switch quando exigido;
- attestation vencida;
- identidade compartilhada entre múltiplos agentes T2/T3 sem exceção aprovada;
- agente descoberto sem owner — recebe status
unmanagede entra em remediação.
Blueprint machine-readable¶
O blueprint é o contrato entre design, desenvolvimento, governança, CI/CD e runtime. Machine-readable significa que os campos relevantes podem ser interpretados por automação para gerar policy checks, verificar o baseline do tier e comparar drift entre configuração aprovada e runtime.
Isso não exige que toda a governança esteja em YAML: decisões narrativas, impact assessments e risk acceptance continuam como evidências referenciadas pelo blueprint. Os contratos canônicos são o Agent Registry 2.0 e o Agent Blueprint 2.0.
Como implementar¶
- Defina primeiro o contrato lógico e apenas os campos que têm consumidor real. Schema grande sem consumidor é dívida.
- Use formato versionável com validação por schema; campos críticos com enum, formato e obrigatoriedade por tier.
- Associe o blueprint a
agent_id+ versão. Alterar o blueprint não pode sobrescrever silenciosamente a evidência de releases anteriores. - Valide em build/release: IDs de fontes, tools e modelos precisam existir em catálogos aprovados; tier e padrão de identidade precisam ser coerentes.
- Use o blueprint para gerar ou verificar configuração: policy bindings, budgets, perfil de telemetria, allowlist de tools e cadência de attestation.
- Compare desired state com runtime observado. Drift material produz finding e, se altera risco, reassessment.
- Comece com dois ou três patterns (T1 somente leitura, T2 transacional, T3 alto impacto) e evolua o schema só quando houver caso real.
Artefatos¶
- Agent Registry Data Standard: campos, tipos, obrigatoriedade por tier, sources of truth e quality checks;
- Agent Registry schema e exemplo estruturado;
- Agent Blueprint schema e exemplo estruturado;
- Agent Taxonomy & Metadata Dictionary;
- template de registry e template de blueprint;
- descoberta contínua e forecast do estate.
Evidências¶
- registro autoritativo com owners, tier e estado por agente;
- histórico de reconciliação entre registry e plataformas de origem;
- findings de qualidade abertos e remediados;
- blueprint versionado por release, com evidence refs;
- relatórios de drift entre desired state e runtime;
- decisões de exceção para identidade compartilhada.
Métricas¶
- agentes descobertos sem owner (
unmanaged) e tempo até remediação; - cobertura do registry contra fontes de descoberta independentes;
- campos obrigatórios vazios por tier;
- referências quebradas para tools, dados e modelos;
- drift material entre blueprint e runtime;
- duplicidade e sobreposição de capability no estate;
- tempo entre criação do agente e registro.
Failure modes¶
- registry como planilha mestre que ninguém reconcilia;
- taxonomia derivada de produto em vez de comportamento;
- inventário completo sem quality rules — lista bonita, controle zero;
- blueprint gigante sem consumidor automatizado;
- agente pessoal compartilhado que permanece "pessoal" no registro;
- tratar descoberta como projeto de inventário pontual;
- sobrescrever o blueprint aprovado ao publicar uma nova versão.
Decision gate¶
Nenhum agente é construído em ambiente compartilhado ou publicado sem agent_id, owner, tier e admissibilidade registrados. Nenhum agente permanece em produção sem stage/operational state coerentes ou com quality finding crítico aberto no registry.