ADR-0003 — Fonte única canônica e absorção do guia externo¶
Contexto¶
O conhecimento de governança de agentes deste autor existia em dois corpora paralelos e não reconciliados:
- este repositório — policy modular, operating model, arquitetura em cinco planos, 38 controls, quatro schemas, decision gates G0–G7 e quality gates em CI;
- um guia externo em formato de documento — "Governança de Agentes de IA em Escala", com doze domínios, playbooks de implementação passo a passo, roadmap de programa de 24 semanas e exemplos preenchidos.
Os dois tinham massa comparável (aproximadamente 240 mil e 258 mil caracteres) e nenhum citava o outro. Divergiam em taxonomia de risco, arquitetura de domínios e sequenciamento de implantação. Um leitor externo não tinha como saber qual era normativo.
A análise mostrou que a divergência não era de conteúdo concorrente, e sim de camada:
| Repositório | Guia externo | |
|---|---|---|
| Textura | normativa: requisito, control, evidência, decisão, métrica, antipattern | procedural: passo a passo, "como produzir", exemplo preenchido |
| Verificabilidade | schemas, control catalog e CI | nenhuma |
| Executabilidade | baixa — diz o quê, raramente como | alta — playbooks e artefatos prontos |
O repositório tem o esqueleto normativo. O guia tem a camada de execução. A ausência de decisão sobre a relação entre eles era, isoladamente, o maior risco do trabalho.
Forças e constraints¶
- o objetivo declarado é ter uma fonte final, canônica, fluida e estruturada;
- manter dois corpora obriga a sincronizar manualmente decisões normativas — divergência é questão de tempo, não de disciplina;
- o guia não tem versionamento verificável: o arquivo entregue declara versão 3.4 na capa, 3.3 nos metadados de título e 3.2 na descrição, sem autoria ou data confiáveis;
- a densidade normativa do repositório é sua principal força e não pode ser diluída por importação literal;
- o ADR-0002 já estabelece policy modular, neutralidade de fornecedor e boundary comercial — a absorção não pode violar nenhum dos três;
- a camada procedural é exatamente o que falta para propor implantação sustentada.
Opções consideradas¶
Opção A — Manter os dois corpora e sincronizar manualmente¶
Vantagens: nenhum trabalho imediato; o guia continua distribuível como está.
Desvantagens: perpetua taxonomias incompatíveis, duplica manutenção, e mantém a ambiguidade sobre qual fonte é normativa. Não atende ao objetivo.
Opção B — Substituir o repositório pelo guia¶
Vantagens: o guia é mais executável e mais fácil de ler linearmente.
Desvantagens: descarta schemas, control catalog, decision gates e CI — a parte verificável do trabalho e a única que sustenta claims perante um cliente. Regressão material.
Opção C — Repositório como destino único, absorvendo a camada procedural do guia¶
Vantagens: preserva rigor e ganha executabilidade; uma fonte, versionada, com CI; o guia pode ser regenerado a partir dos módulos quando desejado.
Desvantagens: exige migração em ondas, reescrita no estilo canônico e resolução explícita dos conflitos de taxonomia e sequenciamento.
Decisão¶
Adotar a opção C.
- Este repositório é a fonte única e final. Nenhum outro artefato é normativo.
- O guia externo passa a ser origem histórica, na mesma categoria da Policy v1: preservado para rastreabilidade, não citado como fonte corrente.
- O conteúdo procedural do guia é absorvido reescrito no estilo canônico — objetivo, requisitos, artefatos, evidências, métricas, failure modes e decision gate — nunca colado literalmente.
- Em qualquer conflito entre guia e repositório, prevalece o repositório. Especificamente: a taxonomia de tiers, o contrato de decision gates e as regras de linguagem de assurance do repositório são inegociáveis.
- A absorção acontece em ondas, cada uma verificável por CI, e cada domínio novo só existe quando altera decisão, authority, control ou evidência.
- Publicações futuras em outros formatos são derivadas dos módulos canônicos, nunca mantidas como cópias editoriais independentes.
Consequências positivas¶
- desaparece a ambiguidade sobre qual fonte é normativa;
- o corpus ganha a camada de execução que faltava para implantação real;
- a manutenção passa a ter um só lugar, com CI e versionamento;
- a camada comercial passa a ter lastro verificável nos artefatos que promete.
Consequências negativas¶
- a migração é trabalhosa e acontece ao longo de várias releases;
- durante a transição, cópias antigas do guia continuam circulando com taxonomia divergente;
- a reescrita no estilo canônico perde parte da fluidez narrativa do guia.
Riscos e mitigação¶
| Risco | Mitigação |
|---|---|
| importação literal inflar o corpus e diluir a densidade normativa | reescrita obrigatória no formato canônico; revisão de sobreposição com docs/patterns/ antes de criar arquivo |
| conteúdo do guia reintroduzir vocabulário de assurance mais permissivo | regra de precedência do repositório e quality gate de linguagem |
| domínios novos criados por afinidade temática, sem consequência operacional | critério explícito em docs/architecture/overview.md |
| cópias antigas do guia continuarem sendo tratadas como normativas | declaração de status em docs/governance/policy.md |
Critérios de validação¶
docs/governance/policy.mddeclara explicitamente o status do guia;- nenhum documento canônico cita o guia como fonte normativa corrente;
- cada onda de absorção mantém
validate-repository.py, schemas e lint verdes; - nenhum conceito importado contradiz o control catalog ou os schemas;
- o handbook permanece uma ordem editorial única, sem segunda fonte.
Evidência da decisão¶
Decisão tomada por Rodrigo Garcia Guimarães em 2026-08-10, após análise comparativa dos dois corpora que identificou vinte gaps de conteúdo e três conflitos estruturais, e após confirmação de que a relação entre guia e repositório nunca havia sido decidida formalmente.